A cultura do futebol periférico

A cultura do futebol periférico
A cultura do futebol periférico

O verdadeiro cerne do debate não vem à tona: o modelo de gestão adotado pelo futebol brasileiro, que há tempos se deixa subordinar pela metrópole europeia

Perdemos por 2 a 1 para a Noruega, uma emergente seleção da Europa, sendo mais uma vez eliminados de uma Copa do Mundo.

Jogamos mal? Não. Fomos dominantes na partida? Também não.

As resenhas pós-jogo tentam encontrar os culpados de sempre: Bruno Guimarães, que perdeu o pênalti; Endrick, que desperdiçou o gol cara a cara com o goleiro norueguês; o zagueiro Gabriel Magalhães, que não conteve Haaland; e, por fim, Carlo Ancelotti, acusado de convocar e escalar mal.

O fato é que o verdadeiro cerne do debate não vem à tona: o modelo de gestão adotado pelo futebol brasileiro, que há tempos se deixa subordinar pela metrópole europeia. Um modelo que aceita, passivamente, o papel de coadjuvante e periférico.

Segundo o Global Transfer Report, relatório da Fifa publicado em fevereiro de 2026, cerca de 1.005 atletas brasileiros foram negociados para o exterior em 2025. Na mão inversa, o futebol brasileiro contratou 1.190 jogadores em transações internacionais no mesmo período, movimentando cifras bilionárias. Esse fluxo se reflete nos gramados nacionais: o Campeonato Brasileiro de 2026 começou com um recorde de jogadores estrangeiros inscritos nos clubes da Série A.

Em contrapartida, levantamentos recentes mostram que dezenas de brasileiros hoje atuam no topo da pirâmide europeia, concentrados principalmente na Premier League inglesa.

Diante disso, faça o teste: o torcedor sabe de cabeça o nome do camisa 10 do seu próprio time ou de uma jovem revelação da base que atua como titular? Muito provavelmente, o camisa 10 do seu clube hoje é argentino, uruguaio ou colombiano.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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