A disputa pelas urnas brasileiras

A disputa pelas urnas brasileiras
A disputa pelas urnas brasileiras

A eleição presidencial de 2026 deixou de ser apenas uma disputa nacional e passou a integrar a nova disputa geopolítica pelas Américas

Em editorial publicado nesta sexta-feira, 7 de agosto, o Valor Econômico registrou uma constatação incomum: “Pela primeira vez nas eleições presidenciais desde a redemocratização, há interferência externa na disputa.”

A frase não encerra o debate sobre a dimensão dessa interferência. Mas registra um fato novo: a eleição brasileira deixou de ser observada apenas como um processo político interno.

Nos últimos meses, Lula passou a agir cada vez mais como chefe de Estado. Publicou artigo no Washington Post em defesa da soberania brasileira, intensificou o diálogo com Xi Jinping, conversou com Vladimir Putin e anunciou que pretende reunir-se também com Donald Trump durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. Ao mesmo tempo, passou a afirmar que o Brasil não aceitará interferências externas em seu processo eleitoral.

Em 8 de janeiro de 2023, oito dias depois da posse presidencial, o país assistiu à invasão das sedes dos Três Poderes por grupos que recusavam o resultado das eleições de 2022. As investigações revelaram uma articulação destinada a romper a ordem constitucional, vieram as condenações de Jair Bolsonaro e de integrantes da cúpula militar e tornou-se público o chamado Plano Verde e Amarelo, que previa o assassinato de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes.

Pela primeira vez desde a Constituição de 1988, uma tentativa de golpe de Estado foi investigada, julgada e punida pelo próprio Estado brasileiro.

Mas compreender a eleição de 2026 exige recuar ainda mais.

Em 1964, a intervenção americana no processo político brasileiro não começou quando as tropas saíram às ruas.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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