A eterna crise do futebol brasileiro

A eterna crise do futebol brasileiro
A eterna crise do futebol brasileiro

Mais uma eliminação em Copa do Mundo, e sempre vem à tona o mesmo debate sobre a decadência do futebol brasileiro e sua eterna desorganização. Falta de craques, treinadores contestados, jogadores descompromissados... são tantos os argumentos que ...

Mais uma eliminação em Copa do Mundo, e sempre vem à tona o mesmo debate sobre a decadência do futebol brasileiro e sua eterna desorganização. Falta de craques, treinadores contestados, jogadores descompromissados… são tantos os argumentos que tentam justificar as derrotas.

A verdade é que o futebol brasileiro nunca navegou em céu de brigadeiro. Vamos puxar pela história?

Comecemos por 1950. A traumática derrota na final contra o Uruguai suscitou o debate sobre o preparo emocional dos jogadores, criando a tese de que nossos craques “amarelam” em momentos decisivos. A eliminação para a Hungria em 1954, por 4 a 2, reforçou esse fantasma. Tanto que, na Copa de 1958, a comissão técnica liderada por Paulo Machado de Carvalho contava com o psicólogo João Carvalhaes, que olhava com desconfiança para Garrincha e Pelé. O resto dessa história a gente já sabe como terminou.

Após o bicampeonato, o Brasil chegou à Inglaterra em 1966 com Pelé no auge e Garrincha já decadente. Resultado: o time comandado pelo experiente Vicente Feola foi eliminado ainda na fase de grupos por Portugal, por 3 a 1, numa partida em que Pelé foi caçado em campo.

Em 1974, mesmo com o favoritismo do tri, a Seleção chegou à Alemanha sem Pelé e Gérson, e castigada por lesões. A fase de grupos foi um desastre: empates em 0 a 0 com Iugoslávia e Escócia, e classificação no saldo de gols contra o Zaire. Terminamos em 4º lugar, estraçalhados pelo Carrossel Holandês de Rinus Michels. Zagallo foi execrado, chamado de desatualizado. Craques como Jairzinho e Paulo César Caju foram acusados de falta de comprometimento por jogarem no exterior.

Na Argentina, em 1978, Cláudio Coutinho assumiu o lugar de Oswaldo Brandão e barrou nomes como Marinho Chagas, Falcão e Caju. A Seleção repetiu o início arrastado, mas arrancou um 3º lugar invicto. Coutinho foi duramente criticado por “europeizar” nosso jogo, sendo acusado de ser excessivamente teórico e defensivista.

Para o projeto de 1982, Telê Santana foi incumbido de resgatar o “futebol-arte”. Montou um escrete que virou poesia, mas caiu diante da eficiência da Itália por 3 a 2, num jogo em que precisávamos apenas do empate. Em 1986, no México, Telê voltou às pressas. Disciplinador, cortou Renato Gaúcho, o craque do momento. Caímos nos pênaltis para a França, sepultando a era de Zico, Sócrates e Cia.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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