
O Brasil chega à campanha presidencial de 2026 carregando a memória do 8 de janeiro de 2023, sob crescente tensão diplomática com os Estados Unidos e diante de uma disputa que ultrapassou definitivamente as fronteiras nacionais
Pela primeira vez desde a redemocratização, o Brasil realiza uma eleição presidencial depois de uma tentativa de golpe de Estado investigada, julgada e condenada. Essa talvez seja a principal diferença entre a eleição que levou Luiz Inácio Lula da Silva de volta à Presidência da República, em 2022, e à disputa pela reeleição na campanha de outubro de 2026.
Há quatro anos, o país ainda não conhecia o desfecho da radicalização política que vinha crescendo desde a posse de Jair Bolsonaro, eleito em 2018. Os bloqueios de rodovias, os acampamentos diante dos quartéis, os ataques às instituições, a violência em Brasília durante a diplomação de Lula e a tentativa de explosão de um caminhão carregado de combustível nas proximidades do Aeroporto Internacional da capital foram, durante semanas, tratados por muitos como episódios isolados.
Somente depois da invasão do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, em 8 de janeiro de 2023, tornou-se evidente que aqueles acontecimentos faziam parte de uma mesma escalada contra a ordem democrática.
Hoje, o Brasil olha para sinais semelhantes de outra maneira.
A Operação Rede Interrompida, deflagrada nesta terça-feira 4, pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), com apoio de órgãos federais de segurança e inteligência, investiga um grupo suspeito de planejar ações violentas durante o período eleitoral de outubro de 2026.
Os investigados, segundo a PCDF, discutiam ataques a prédios públicos, compartilhavam plantas da Esplanada dos Ministérios, recrutavam participantes em diferentes estados e trocavam material relacionado à fabricação de explosivos.
Cabe à Justiça estabelecer responsabilidades e julgar os fatos. Mas o significado político da operação ultrapassa o inquérito policial. Ela revela que o Estado brasileiro passou a reagir de forma diferente depois da experiência traumática de 2022 e 2023.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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