
Pesquisadores brasileiros da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP), participaram do Deep Space Food Challenge, competição para desenvolver sistemas compactos capazes de produzir alimentos nutritivos em missões espaciais prolongadas
A busca por soluções para alimentar astronautas em missões de longa duração no espaço impulsionou a ciência agrícola global a olhar para o espaço. Pesquisadores brasileiros da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), em Piracicaba (SP), participaram do Deep Space Food Challenge, competição para desenvolver sistemas compactos capazes de produzir alimentos nutritivos em missões espaciais prolongadas.
Uma iniciativa que combina tecnologia de ponta, microbiologia e otimização de área para viabilizar a agricultura espacial. Entre os projetos desenvolvidos por cientistas da instituição que avançaram em desafios da agência espacial, destaca-se o cultivo de espécies densas em nutrientes, como morango e taioba, em um espaço de apenas 2 m³, ém do estudo de culturas rústicas como batata-doce, cará e grão-de-bico. As informações são da Revista Fapesp.
Os sistemas utilizam simulações de microgravidade para entender como a falta de gravidade afeta a fisiologia vegetal, além do uso de microrganismos benéficos. Esses bioinsumos ajudam a otimizar a absorção de nutrientes em substratos adversos e em volumes extremamente reduzidos de solo ou solução nutritiva, garantindo alta produtividade por metro quadrado.
A cerca de 400 quilômetros da superfície terrestre, a Estação Espacial Internacional (ISS) serve como o principal laboratório orbital para o cultivo de vegetais em microgravidade. Em ambiente de gravidade quase nula, a água e o ar não se comportam como na Terra, exigindo o uso de câmaras de crescimento equipadas com iluminação de LED customizada e sistemas de irrigação por capilaridade.
Na ISS, astronautas já plantaram e colheram com sucesso espécies como alface, couve, mostarda-wasabi, rabanete e tomate-cereja. Além de fornecer nutrientes frescos essenciais para a dieta dos tripulantes, o manuseio das plantas traz benefícios psicológicos significativos em missões confinadas.
Os dados gerados pelas pesquisas da Esalq para o ambiente espacial ultrapassam as fronteiras da órbita. A eficiência no uso de água, o aproveitamento máximo de espaços verticais reduzidos e a resistência das plantas ao estresse ambiental — como o pH adverso e a escassez de recursos — fornecem bases tecnológicas aplicáveis diretamente na Terra. O conhecimento desenvolvido para estufas espaciais contribui diretamente para o avanço de fazendas verticais urbanas e para o fortalecimento da agricultura sustentável diante das mudanças climáticas globais.
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📰 Fonte: revistaforum.com.br
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