Amanhã seremos antigos

Amanhã seremos antigos
Amanhã seremos antigos

O presente envelhece em ritmo acelerado, e tecnologias que hoje simplificam nossa vida poderão despertar nostalgia antes mesmo de completarmos uma década convivendo com elas

Em 30 de setembro de 2014, o Google encerrou o Orkut. Dez anos de comunidades, depoimentos, fotografias e amizades digitais desapareceram de uma plataforma que parecera destinada a permanecer conosco.

Oito anos depois, em novembro de 2022, o ChatGPT chegava ao público e começava a alterar nossa relação com escrita, pesquisa, trabalho e conhecimento. Entre o fim de uma novidade e o nascimento de outra, coube quase uma geração tecnológica inteira.

É nessa pequena distância entre duas datas que talvez esteja uma das características mais fortes do nosso tempo. O moderno envelhece depressa. O que hoje organiza nossa rotina poderá, em 2036, provocar a mesma reação que temos diante de uma fita cassete: lembrança, curiosidade e alguma incredulidade.

Daqui a dez anos, alguém poderá encontrar um QR code numa fotografia e perguntar para que servia aquele quadrado preto. O Pix talvez pareça rudimentar. Waze e Google Maps poderão despertar a curiosidade reservada às tecnologias que já cumpriram seu papel e deixaram discretamente o cotidiano.

Nossos filhos que hoje têm seis ou oito anos poderão chegar aos dezesseis ou dezoito sem compreender direito o que significava abrir um e-mail, entrar numa rede social ou digitar um endereço para descobrir um caminho. Não porque sejam desatentos. O mundo ao redor deles terá simplesmente aprendido outras maneiras de fazer as mesmas coisas.

O e-mail poderá ceder lugar a agentes pessoais capazes de conversar entre si, selecionar pedidos, negociar horários, documentos e decisões sem que ninguém abra uma caixa de entrada. A comunicação deixará de chegar como correspondência. Passará a acontecer continuamente ao redor de nós, enquanto fazemos outras coisas.

As redes sociais talvez percam perfis, páginas e cronologias. Poderão se transformar em ambientes privados e temporários, criados para determinado interesse, trabalho, encontro ou conversa. Entraremos, participaremos e sairemos. Aquela necessidade atual de deixar a vida inteira exposta numa espécie de praça pública digital poderá parecer estranha.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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