André Mendonça e a integridade democrática pós-golpe

André Mendonça e a integridade democrática pós-golpe
André Mendonça e a integridade democrática pós-golpe

A reconstrução democrática brasileira exige que o STF seja simultaneamente independente e fiel à Constituição; sem isso, a superação do golpe permanecerá incompleta

Em minhas manifestações públicas, tenho sustentado que o ministro André Mendonça representa a continuidade do golpe contra a democracia brasileira. O episódio da Petição 16.662, envolvendo a Operação Compliance Zero e a decisão de Mendonça de denunciar sem qualquer jurisdição o Ministro Alexandre de Moraes e depois afastar dois delegados da Polícia Federal, que eram a cúpula da Policia Federal e das suas inteligências, fazem as vezes de depredação institucional e implosão que as hordas bolsonaristas no dia 08 janeiro de 2023 não conseguiu concluir. E não vão.

Os vazamentos nesta República dão conta que o celular de Vorcaro guarda elementos iniciais (que não são provas, e nem podem ensejar o linchamento público bolsonarista e lavajatista que a imprensa golpista ama) de que outros Ministros tinham vínculos e visitas com Vorcaro. Inclusive o Reverendo Mendonça.

A Arguição de descumprimento de Preceito Fundamental 1.196  – a ADPF 1.196  – trata da concessão de serviços funerários, cemiteriais e de cremação no Município de São Paulo. O seu relator Ministro Flavio Dino na data de hoje, 15 setembro de 2026, informa possível conexão em tese do Reverendo Mendonça com um esquema mafioso de fraude a cemitérios em São Paulo. Segundo a decisão, Mendonça encontrou-se com Vorcaro em 14 de março de 2025 e, no dia seguinte, pediu vista de julgamento relativo a limites de preços cobrados pelas concessionárias de cemitérios. Dino afirmou que havia “elevados interesses” de fundos administrados pelo Banco Master relacionados à privatização do setor.

Repito, como um arauto destes tempos estranhos: Mendonça teria pedido vistas e mudado seu voto em processo de interesse econômico do Banco Master e, depois de encontro com Vorcaro na sede da fundação ITER, de propriedade de Mendonça. Mendonça teria em tese favorecido Daniel Vorcaro e seu banco por meio de negócios com cemitérios em São Paulo. Imediatamente após a própria prefeitura de São Paulo fecha enormes contratos com Mendonça e ITER.

Na decisão de 15 de setembro de 2026, proferida na ADPF 1.196, o ministro Flávio Dino  apontou fatos que, em tese, justificam a apuração de uma possível conexão entre: o julgamento sobre a concessão de cemitérios e serviços funerários em São Paulo; os interesses econômicos relacionados ao Banco Master; o encontro de André Mendonça com Daniel Vorcaro; a atuação da concessionária Cortel; e vínculos de pessoas próximas a Vorcaro com o setor funerário.

E  Dino faz o que a constituição manda. Envia ao presidente do Supremo Tribunal Federal os crimes em tese de Mendonça, pois só presidente Facchin e Procurador Geral da Republica tem competência para apurar a conduta de Mendonça e se ela é crime em tese:

A questão que se impõe é maior do que a disputa processual. É maior que o escândalo que nós brasileiros estamos tendo com as entranhas do judiciário. É maior que as condutas pouco republicanas. E, principalmente, porque descobrimos também que o Reverendo Mendonça dolosamente e premeditadamente implicou Moraes para influenciar a eleição do seu clã Bolsonaro. Para colocar fogo na republica colocando fogo na constituição que jurou cumprir.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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