
Argentina venceu Cabo Verde por 3 x 2 na prorrogação, após 1 x 1 no tempo normal de jogo
Uma Argentina acuada em seu campo, cedendo escanteios, chutando para qualquer lado, com uma torcida assustada e Diego Simeone desesperado na tribuna, venceu Cabo Verde por 3 x 2 na prorrogação ( 1 x 1 no tempo normal) e passou para as oitavas-de-final da Copa. Vai enfrentar Egito, dia 7 de julho, em Atlanta. Cabo Verde cai, mas por muito tempo se falará do goleiro Vozinha, que defendeu cara-a-cara com Messi, de Lopes Cabral, que fez um golaço, do zagueiro Pico (Roberto Lopes) e de uma seleção de um país de 500 mil habitantes, que deixa o Mundial com quatro empates, contra países tradicionais como Espanha, Uruguai, Argentina e a fraca Arábia Saudita.
E a próxima rodada? A Argentina, mesmo depois de tanto sofrimento, entra como favorita, mas precisa mudar muita coisa em relação ao jogo contra Cabo Verde. Muita coisa precisa ser arrumada, mesmo porque, embora seja loucura fazer previsões nesta Copa, depois de Egito poderão vir Colômbia e Brasil.
A impressão do primeiro tempo de jogo é que Lionel Scaloni pediu para os jogadores não se cansassem, não se esforçassem e o feitiço virou contra o feiticeiro: precisaram jogar 120 minutos. E, pelo menos os trinta finais e mais os trinta da prorrogação, com toda a dedicação, com todo o físico possível.
O que se viu nos jogos anteriores foi uma Argentina com pouco jogo pelos lados de campo. Os laterais não avançam e o espaço é ocupado vez ou outra por um de seus quatro meio-campistas, todos muito bons: Enzo Fernandez, MacAllister, Rodrigo de Paul e Almada. Trocam passes à exaustão, até acharem Messi. O que parecia um recital, contra Cabo Verde pareceu uma orquestra desafinada, sempre no mesmo tom: o toco y me voy histórico, sempre buscando Messi.
Deu certo aos 29 minutos do primeiro tempo. Lisandro Martinez, da esquerda, inverteu o passe totalmente e achou Messi na esquerda. Messi matou a bola com o pé esquerdo e, com ele mesmo, o mágico pé esquerdo, venceu Vozinha. Aliás, Messi não “mata” a bola. Ele a acolhe com carinho de namorado. Messi faz lembrar a fase histórica de Johan Cruyff: “Jogar futebol é muito simples, mas jogar futebol simples é a coisa mais difícil que há”.
Messi é minimalista. Se fosse escritor brasileiro, seria Graciliano Ramos, se fosse poeta, escreveria haikais.
Uma das chaves do futebol de Scaloni é ter o controle do jogo. Se o adversário não se abre, ele também não faz questão, fica esperando a hora de marcar ou de defender. Foi assim até o final do primeiro tempo, um jogo aborrecido.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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