
Para enfrentar um problema crescente de saúde pública no Brasil — a proliferação de escorpiões em áreas urbanas — uma startup de Ribeirão Preto aposta em uma estratégia mais preventiva: monitorar para combater melhor. A Ecobiotech lançou em junho de 2026 a Scorpfem, armadilha adesiva sem veneno.
Incubada no SUPERA Parque de Inovação e Tecnologia, em Ribeirão Preto, a empresa de biotecnologia quer inverter a abordagem tradicional: usar veneno assim que aparece um escorpião, para tentar exterminá-lo sem saber se há outros espécimes ou noção do tamanho da infestação.
A Scorpfem é uma armadilha adesiva voltada à captura e ao monitoramento técnico dos escorpiões. Por não utilizar veneno em sua composição, o produto é descrito pela fabricante como adequado para ambientes como residências, condomínios, empresas e áreas com histórico de avistamento do animal.
O diferencial do Scorpfem é o bioindutor atrativo alimentar, ou seja, uma isca que faz o escorpião sair para procurar comida e ir até a armadilha. Segundo a Ecobiotech, a tecnologia foi calibrada especificamente para o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), espécie de maior relevância sanitária no país.
Em um comunicado de imprensa, a diretora de P&D da Ecobiotech, Thaís Maester, explica que “o escorpião-amarelo se tornou um problema de saúde pública diretamente ligado ao crescimento urbano. Entulhos, acúmulo de lixo e a presença de baratas, que são o principal alimento da espécie, criam condições favoráveis para a proliferação”.
Atualmente, o escorpião-amarelo é responsável pela maioria dos casos de pessoas picadas por animais venenosos no Brasil. Dados do Ministério da Saúde indicam que o país registrou mais de 225 mil picadas de escorpião em 2025 — o equivalente a mais de 65% dos acidentes do tipo, acima de serpentes e aranhas.
Nesse contexto, simplesmente matar um escorpião que aparece em casa acaba sendo uma solução limitada. O ideal é entender se aquele animal é um caso isolado ou parte de uma infestação maior. E é justamente aí que entra a proposta da Scorpfem: funcionar também como ferramenta de diagnóstico.
A armadilha pode ser instalada em pontos estratégicos como jardins, ralos, caixas de esgoto, garagens e depósitos. A fabricante destaca que, por não utilizar veneno, o produto pode ser uma alternativa mais segura em ambientes com crianças e animais domésticos, além de reduzir o impacto ambiental.
📰 Fonte: cnnbrasil.com.br
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