Um vaso de barro permaneceu escondido por mais de mil anos no deserto da Arábia Saudita. Quando os arqueólogos o abriram, encontraram mais de 100 peças de ouro, prata e pedras coloridas. O chamado Tesouro de Dhariyah surgiu junto a uma antiga rota para Meca e pode ter sido enterrado por alguém que nunca conseguiu voltar para buscá-lo.
O recipiente guardava joias e ornamentos trabalhados em folhas de ouro, além de peças de prata, pedras semipreciosas e fragmentos de cobre oxidado. Muitos objetos apresentam formas florais e desenhos geométricos, produzidos por artesãos capazes de moldar, prensar e decorar metais com uma precisão impressionante para a época.
A coleção foi encontrada durante escavações conduzidas pela Comissão do Patrimônio Saudita no sítio arqueológico de Dhariyah, na região de Al-Qassim. O vaso estava enterrado dentro de uma área com vestígios de construções residenciais, onde também apareceram cerâmicas, vidros, paredes antigas e bacias revestidas com gesso.
Dhariyah funcionava como uma estação importante em uma rota percorrida por viajantes que seguiam em direção a Meca. O caminho ligava áreas do atual Iraque à Península Arábica e precisava oferecer água, abrigo e locais de descanso. Peregrinos, comerciantes e funcionários circulavam por esses pontos carregando dinheiro, mercadorias e objetos pessoais.
Por isso, pesquisadores consideram possível que um viajante tenha escondido as joias para protegê-las de ladrões ou de algum perigo encontrado pelo caminho. No entanto, nenhum nome, inscrição ou objeto pessoal identificou o proprietário. O tesouro também pode ter pertencido a um comerciante, artesão, morador rico ou família ligada à estação.
Análises de radiocarbono feitas em restos orgânicos indicaram que a ocupação principal do assentamento remonta ao século VIII, período de grandes transformações políticas no mundo islâmico. A região acompanhou a passagem dos últimos anos do Califado Omíada para o início do Califado Abássida, estabelecido em 750.
As descobertas ajudam a reconstruir a rotina de uma parada movimentada no meio de uma longa viagem:
Essas estruturas lembram que as rotas de peregrinação não eram apenas caminhos religiosos. Elas formavam redes de abastecimento, comércio e contato cultural. Em torno das estações, produtos mudavam de dono, notícias atravessavam regiões distantes e técnicas de fabricação viajavam junto com pessoas vindas de diferentes partes do mundo islâmico.
📰 Fonte: catracalivre.com.br
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