
Mais de 16 mil Pontos e Pontões de Cultura certificados pelo Ministério da Cultura estão hoje em atividade no país. Juntos, realizam cerca de 80 mil atividades culturais gratuitas por mês em seus territórios
Mais de 16 mil Pontos e Pontões de Cultura certificados pelo Ministério da Cultura estão hoje em atividade no país. Juntos, realizam cerca de 80 mil atividades culturais gratuitas por mês em seus territórios. Isso representa aproximadamente 1 milhão de ações por ano, alcançando cerca de 3 milhões de pessoas mensalmente em todas as regiões do Brasil. Os dados fazem parte do Diagnóstico Econômico da Cultura Viva, desenvolvido pelo Consórcio Universitário Cultura Viva, e ajudam a dimensionar a escala da maior rede de cultura de base comunitária do Brasil, hoje reconhecida como referência para as políticas culturais da América Latina e da Ibero-América.
Ainda assim, essa dimensão pode ser ainda maior. O levantamento considera os Pontos e Pontões certificados e atualmente mapeados, mas a rede de Cultura Viva brasileira também é formada por inúmeras iniciativas culturais comunitárias ainda não certificadas ou fora dos registros institucionais. São coletivos, grupos, associações e experiências históricas espalhadas pelos territórios brasileiros que compartilham os mesmos princípios de atuação comunitária, memória, criação e organização coletiva. Isso significa que a potência revelada pelo diagnóstico já é imensa, mas ainda não esgota a dimensão real dessa rede no Brasil.
Foi com essa dimensão de fundo que, entre os dias 19 e 24 de maio, Aracruz tornou-se o centro da Cultura Viva brasileira ao sediar a 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, retomada após 12 anos sem uma edição nacional. Milhares de pessoas vindas de todas as regiões do país reuniram-se em torno daquele que é o grande encontro dos agentes, dos Pontos e dos Pontões de Cultura do Brasil. Mestres, mestras, griôs, artistas, coletivos culturais, comunidades indígenas, quilombolas, juventudes periféricas, pesquisadores, comunicadores e agentes culturais voltaram a ocupar esse espaço de articulação política, troca de experiências e reconhecimento mútuo.
Na abertura oficial, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Margareth Menezes, a dimensão política daquele encontro ficou ainda mais evidente. Ao falar sobre Cultura Viva, Lula destacou a força de uma teia construída coletivamente, capaz de reverenciar o passado, abraçar o presente e apontar caminhos para o futuro do país. Ao defender o investimento público no setor, reafirmou que a cultura traduz nossa identidade, memória, autoestima, desenvolvimento e transformação social. Sua presença em Aracruz deu dimensão institucional a algo que os territórios brasileiros conhecem há muito tempo: cultura é parte da estrutura viva do país.
A Teia é o grande encontro dos agentes, dos Pontos e dos Pontões de Cultura do Brasil. É onde essa rede se reúne, se reconhece e se fortalece coletivamente a partir da troca de experiências, da circulação de saberes e da construção compartilhada entre os territórios. Em Aracruz, essa dimensão apareceu com força no encontro entre trajetórias, memórias e práticas culturais vindas de diferentes partes do país.
Os números impressionam pela escala. Mas impressionam ainda mais pelo contraste. Apesar da dimensão nacional dessa rede, da sua presença contínua nos territórios e do impacto social produzido por essas experiências ao longo de mais de duas décadas, sua repercussão na grande imprensa brasileira ainda é pequena diante do que representa.
Basta percorrer os principais jornais, portais e plataformas digitais para perceber esse descompasso. São milhares de experiências culturais em atividade permanente, realizando ações gratuitas todos os dias, mobilizando milhões de pessoas, preservando memórias coletivas e estruturando parte significativa da vida cultural brasileira. Ainda assim, seguem pouco presentes no noticiário nacional e raramente ocupam o espaço proporcional à sua capilaridade, permanência e relevância pública.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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