
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, não deveria sequer ter decolado nas condições em que foi liberado para o voo.
Segundo a investigação, a aeronave operava com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo, inoperante. Nessas condições, caso houvesse possibilidade de formação de gelo durante o trajeto, o voo não deveria ter sido autorizado.
O ATR-72, de matrícula PS-VPB, fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando encontrou condições severas para formação de gelo durante o voo de cruzeiro. O acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave comprometeu seu desempenho, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e a queda sobre uma área residencial de Vinhedo. Ao todo, morreram 58 passageiros e quatro tripulantes.
O Cenipa concluiu que, mesmo com a pane conhecida no sistema de proteção contra gelo, a aeronave foi despachada para o voo. Para os investigadores, a decolagem ocorreu em desacordo com os requisitos operacionais.
Além disso, o relatório aponta que os pilotos demoraram a reconhecer a degradação do desempenho da aeronave causada pelo gelo e não executaram, em tempo oportuno, os procedimentos previstos pelo fabricante para abandonar a área de formação severa de gelo e manter a velocidade mínima de segurança. O documento ressalta, entretanto, que ambos estavam habilitados e haviam recebido treinamento específico para esse tipo de operação.
A comissão de investigação concluiu que a decolagem ocorreu em desacordo com os requisitos operacionais, uma vez que o sistema de proteção pneumática contra gelo estava indisponível.
Nessas circunstâncias, caso houvesse possibilidade de ingresso em condições de formação de gelo, a aeronave não deveria ter sido despachada para o voo. A investigação apontou que, mesmo diante da pane conhecida, a empresa autorizou a operação.
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📰 Fonte: cnnbrasil.com.br
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