
Claudio não voltou para casa. Acabou morto a pauladas porque dois seguranças acharam que a bicicleta que ele estava usando era roubada.
Uma notícia chocou o Brasil nesta semana. Claudio Rafael Landeiro, de 37 anos, tinha o costume de passear de bicicleta de Botafogo, onde morava, até Copacabana. Foi o que fez na terça-feira, dia 11 de agosto. Dessa vez, no entanto, Claudio não voltou para casa. Acabou morto a pauladas porque dois seguranças acharam que a bicicleta que ele estava usando era roubada.
O espancamento foi gravado por câmeras de segurança de prédios nas ruas Barata Ribeiro e Felipe de Oliveira. Foram nove minutos de pura covardia. Segundo o jornal O Globo, Claudio levou 57 pauladas, além de pisões na cabeça, chutes e socos.
Após as agressões, ele foi deixado na rua e agonizou por pelo menos 30 minutos, tempo da chegada dos bombeiros, que o levaram para o Hospital Miguel Couto, onde deu entrada à 1h do dia 12. O laudo de necropsia aponta traumatismo cranioencefálico, hemorragia interna e lesões no baço e no rim esquerdo.
“Ele não fazia mal a ninguém. Todo mundo aqui pelas redondezas o conhecia. Depois que caiu do telhado, na adolescência, passou a ter transtornos psicológicos. Ficou introvertido, parou de falar com as pessoas”, explicou ao Globo a vizinha Genuína da Silva, de 52 anos.
Os seguranças que o agrediram alegaram que Claudio não soube explicar que a bicicleta era da irmã. E daí? Por que ele deveria se explicar com os seguranças de uma farmácia? Se havia a dúvida, por que não acionaram uma autoridade policial?
O delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP, onde o caso está sendo investigado, disse que os agressores – os dois seguranças e dois entregadores, ainda não identificados – vão responder por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
Mas o que leva quatro pessoas a espancarem até a morte um “suspeito” de roubo? Essa tragédia mostra até onde pode chegar o justiçamento. Segurança Pública é atribuição do Estado e não pode ser substituída pela lógica da milícia, da imposição da vontade própria pela força, do cada um por si, do ódio que estimula e banaliza a morte.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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