
Chanceler Mauro Vieira deu entrevista à mídia argentina e falou sobre os ataques de Javier Milei a Lula
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, afirmou em entrevista ao jornal argentino Clarín que as “pressões e agressões” do governo de Javier Milei contra o presidente Lula e as instituições brasileiras “devem cessar imediatamente” para que as relações diplomáticas entre os dois países possam ser normalizadas. A declaração foi feita em Cali, na Colômbia, na última sexta-feira (7), durante a cerimônia de posse do presidente Abelardo de La Espriella, e ocorre após o Brasil rebaixar, na última semana, o nível de sua representação diplomática em Buenos Aires em resposta a uma sequência de insultos públicos proferidos pelo presidente argentino.
Em entrevista ao Clarín, Mauro Vieira foi direto ao ponto: a normalização das relações entre Brasil e Argentina tem uma condição única e não negociável. “A Argentina deve valorizar sua relação com o Brasil da mesma forma que o Brasil valoriza a sua com a Argentina. Precisamos ser muito claros quanto a isso, pelo bem desta relação: esse tipo de agressão deve cessar imediatamente para que possamos trabalhar no vínculo bilateral, que é tão importante”, declarou o chanceler. Vieira acrescentou que o retorno do embaixador brasileiro Julio Bitelli a Buenos Aires depende de um “gesto simples”: “pôr fim à agressão”.
O chanceler fez questão de situar a crise em um contexto maior do que a conjuntura política imediata. A relação entre Brasília e Buenos Aires, ressaltou, transcende os governos de momento, e o Brasil é o maior parceiro comercial da Argentina, com programas bilaterais de longa data. Ainda assim, reconheceu que o diálogo está enfraquecido.
Na noite de terça-feira, 3 de agosto, o governo brasileiro anunciou o rebaixamento das relações diplomáticas com a Argentina. A medida significa que a representação argentina em Brasília passou a ser exercida por um encarregado de negócios, e o embaixador brasileiro em Buenos Aires também foi retirado do posto. Vieira confirmou que a decisão foi uma retaliação direta a “reiterados insultos e agressões a instituições brasileiras”, classificando as falas de Milei como “agressivas, descabidas e grosseiras”.
O chanceler detalhou a dimensão da provocação que levou à decisão: foram “quatro manifestações no espaço de uma semana” em que o presidente argentino atacou “de uma forma muito grosseira, muito direta e muito agressiva” o Brasil, suas instituições e o presidente Lula. Vieira foi enfático ao rejeitar qualquer leitura ideológica da medida: “Educação e respeito são fundamentais, sem isso não pode haver diálogo. A questão ideológica é totalmente secundária.” O recado é que o Brasil não rebaixou as relações por divergência política, mas por uma questão de respeito mínimo entre nações.
Em 25 de julho, Javier Milei participou da convenção nacional do PL em São Paulo, evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência, e chamou Lula de “presidiário” diante de uma plateia brasileira. No dia seguinte, em entrevista a uma rádio argentina, Milei foi além: acusou o Brasil de liderar uma “campanha anti-Argentina” e afirmou que Lula teria enviado marqueteiros para interferir nas eleições presidenciais argentinas de 2023 em favor do então candidato Sergio Massa. Em 2 de agosto, em entrevista à emissora argentina LN+, o presidente argentino voltou a atacar, chamando Lula de “ladrão”, “corrupto” e “não é inocente”, além de questionar as decisões do STF que anularam as condenações do petista.
A resposta de Buenos Aires ao rebaixamento foi acusar o Brasil de agir por “questões puramente ideológicas” e de estar “se isolando do restante da região”. Milei, por sua vez, recusou-se a reconhecer qualquer responsabilidade, afirmando que suas declarações foram “palavras espontâneas” e que “agressivo é que alguém roube”.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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