
No ramo dos remédios emagrecedores ilegais vindos do Paraguai, a saúde está em último lugar. A única preocupação é o lucro que, segundo as autoridades brasileiras de segurança e fiscalização, abastece os cofres do crime organizado.
Especialistas garantem que o uso indiscriminado dos remédios não regulamentados para emagrecer pode gerar pancreatite, hepatites, hipoglicemia severa, alergias, complicações digestivas e desidratação. Fora outras doenças à longo prazo ou até morte, segundo alerta da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.
Sem garantia de qualidade ou procedência, as ampolas são enviadas ao Brasil sem qualquer tipo de refrigeração (necessária para a manutenção da qualidade do remédio). Em grupos de WhatsApp e perfis de redes sociais há informações equivocadas sobre a manipulação e conservação de medicamentos à base de GLP-1 enquanto usuários comemoram emagrecimento e até um “vício em canetas”.
E enquanto os remédios paraguaios não são aprovados pela Anvisa, o Mounjaro é o único autorizado. Mas, assim que surgem novas marcas por lá, há um hiato legal na importação de pequenas quantidades para uso pessoal, o que tem levado usuários à busca do T36, uma das mais novas tirzepatidas paraguaias, para uma cadeia de compra que começa com uma consulta médica no Brasil e expedição de laudos ou receitas, compra à distância ou pessoalmente no Paraguai, passagem pela alfândega e até processos judiciais em busca de uma autorização temporária para o consumo dos medicamentos que ainda não foram liberados pela Anvisa.
De acordo com a Receita Federal sobre as fronteiras brasileiras, há uma explosão de apreensões de emagrecedores. Entre janeiro e maio de 2025, foram captados mais de R$2,3 milhões em medicamentos. Em 2026, no mesmo período, o valor ultrapassa os R$47,3 milhões em contrabando, uma diferença 20 vezes maior num intervalo de apenas um ano.
O contrabando de emagrecedores é considerado um crime contra a saúde pública e pode render de 10 a 15 anos de prisão.
A única tirzepatida regularizada no Brasil é comercializada sempre sob refrigeração. Seja na farmácia ou no transporte, o remédio deve estar entre 2° a 8°. A baixa temperatura é fundamental para a conservação da molécula que vai agir sobre o emagrecimento ou no tratamento de diabetes tipo 2.
Temperaturas abaixo ou acima do recomendado, podem prejudicar o conteúdo do medicamento. Na prática, é desperdício. Há estudos sobre mudanças no PH do remédio sem o controle da temperatura que se dá durante o processo fabril.
📰 Fonte: cnnbrasil.com.br
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