
Embora tenha potencial para transformar a forma como os estudantes aprendem, a inteligência artificial ainda tem sido usada nas escolas de maneira muito limitada. Muitos alunos recorrem à tecnologia apenas para concluir tarefas, sem necessariamente desenvolver novas habilidades ou aprofundar o próprio raciocínio.
Na prática, os alunos fazem perguntas ao chatbot, veem o resultado e vão ajustando por tentativa e erro, sem saber como formular bons comandos. Diante da falta de diretrizes claras, os professores têm reações variadas em relação à IA: alguns proíbem, outros incentivam, outros deixam o uso livre.
Quanto às instituições de ensino, parece que ainda não foram capazes de responder a algumas questões básicas como: quando a IA deve ser usada? Para quê? Como evitar que ela substitua o esforço intelectual? Como avaliar trabalhos feitos com auxílio de IA?
Segundo Andrew J. Martin, professor de psicologia educacional na Universidade de New South Wales, na Austrália, parte do problema está no fato de que muitos estudantes usam a IA como um atalho, terceirizando etapas do raciocínio que seriam importantes para desenvolver autonomia e compreensão.
Para ele, o resultado é paradoxal: a tecnologia educacional mais avançada da história está sendo aplicada com pouquíssima orientação psicológica. Sem critérios pedagógicos, um recurso que poderia consolidar o aprendizado corre o risco de enfraquecê-lo, ao reduzir o esforço cognitivo que o estudante dedica às próprias tarefas.
Martin defende uma mudança de abordagem: em vez de entregar a tarefa para a IA e pedir "faça um resumo deste capítulo", "resolva este exercício" ou "escreva uma redação sobre este tema", o aluno deveria usar a ferramenta de uma forma ativa, para melhorar o seu próprio desempenho.
Nesse contexto, os prompts poderiam ser: "me ajude a criar um plano de estudos", "explique esse conceito de três formas diferentes", "faça perguntas para eu testar se entendi", "aponte falhas no meu raciocínio". Antes de uma prova, por exemplo, ele pode usar a IA para organizar um cronograma de revisão, dividir o conteúdo em resumos, e ainda testar seu conhecimento.
Nesse sentido, Martin criou a Roda da Motivação e do Engajamento, um framework publicado na revista Educational Psychology Review. O modelo de referência reúne 11 fatores distribuídos em quatro domínios, que combinam motivação e engajamento em suas dimensões positivas e negativas na vida escolar.
📰 Fonte: cnnbrasil.com.br
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