Cota da China deve mudar dinâmica de comercialização da pecuária em 2026

Cota da China deve mudar dinâmica de comercialização da pecuária em 2026
Cota da China deve mudar dinâmica de comercialização da pecuária em 2026

A cota de exportação de carne bovina para a China deve provocar uma mudança na dinâmica de comercialização da pecuária brasileira nos próximos anos. O movimento reduz a concentração das vendas para o principal destino da carne nacional e altera a estratégia de frigoríficos, confinadores e pecuaristas ao longo do ano.

Segundo análise da StoneX, o cenário representa uma quebra no padrão observado nos últimos anos, quando a segunda metade do ano, especialmente os meses de outubro, novembro e dezembro, concentrava uma forte demanda chinesa pelo produto brasileiro.

Com a adoção das cotas, a expectativa é de que as indústrias antecipem a busca por animais para preencher os volumes autorizados logo no início dos períodos de vigência, principalmente no primeiro trimestre. Essa mudança pode inverter a tradicional curva de preços da arroba, que historicamente registrava maior valorização no fim do ano.

“A imposição dessas cotas pela China já é uma quebra estrutural”, explicou a analista de proteínas animais da StoneX, Larissa Barboza. Segundo ela, a nova dinâmica exige uma reorganização de todo o planejamento da cadeia, desde a compra de animais de reposição até o calendário dos confinamentos.

Nos últimos anos, muitos pecuaristas estruturavam a produção para entregar animais terminados no segundo semestre, período em que a China aumentava as compras e os confinamentos ganhavam maior participação na oferta. Agora, com a antecipação da demanda chinesa, a concentração dos animais disponíveis pode mudar.

Além da mudança no calendário de comercialização, o setor também enfrenta o desafio de encontrar novos destinos para o volume que deixou de ser embarcado para a China.

Segundo a gerente de exportação Natália Braga Simão, a redução dos embarques representa um volume expressivo que precisará ser absorvido por outros mercados nos próximos meses.

No ano passado, o Brasil exportou cerca de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina para a China. Para 2026, a cota estabelecida ficou em aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, uma redução de 500 mil toneladas em relação ao volume anterior.


📰 Fonte: cnnbrasil.com.br

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