
A cota de exportação de carne bovina para a China deve provocar uma mudança na dinâmica de comercialização da pecuária brasileira nos próximos anos. O movimento reduz a concentração das vendas para o principal destino da carne nacional e altera a estratégia de frigoríficos, confinadores e pecuaristas ao longo do ano.
Segundo análise da StoneX, o cenário representa uma quebra no padrão observado nos últimos anos, quando a segunda metade do ano, especialmente os meses de outubro, novembro e dezembro, concentrava uma forte demanda chinesa pelo produto brasileiro.
Com a adoção das cotas, a expectativa é de que as indústrias antecipem a busca por animais para preencher os volumes autorizados logo no início dos períodos de vigência, principalmente no primeiro trimestre. Essa mudança pode inverter a tradicional curva de preços da arroba, que historicamente registrava maior valorização no fim do ano.
“A imposição dessas cotas pela China já é uma quebra estrutural”, explicou a analista de proteínas animais da StoneX, Larissa Barboza. Segundo ela, a nova dinâmica exige uma reorganização de todo o planejamento da cadeia, desde a compra de animais de reposição até o calendário dos confinamentos.
Nos últimos anos, muitos pecuaristas estruturavam a produção para entregar animais terminados no segundo semestre, período em que a China aumentava as compras e os confinamentos ganhavam maior participação na oferta. Agora, com a antecipação da demanda chinesa, a concentração dos animais disponíveis pode mudar.
Além da mudança no calendário de comercialização, o setor também enfrenta o desafio de encontrar novos destinos para o volume que deixou de ser embarcado para a China.
Segundo a gerente de exportação Natália Braga Simão, a redução dos embarques representa um volume expressivo que precisará ser absorvido por outros mercados nos próximos meses.
No ano passado, o Brasil exportou cerca de 1,6 milhão de toneladas de carne bovina para a China. Para 2026, a cota estabelecida ficou em aproximadamente 1,1 milhão de toneladas, uma redução de 500 mil toneladas em relação ao volume anterior.
📰 Fonte: cnnbrasil.com.br
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