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Haiti foi tomado pela violência de gangues; hoje, segundo a ONU, um entre cada dois de seus membros são crianças. — Foto: Hector Adolfo Quintanar Perez/ZUMA/picture alliance via DW
O Haiti "enfrenta a crise mais grave do hemisfério ocidental", alertou na terça-feira (17) o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, durante viagem ao país caribenho.
Segundo Guterres, a nível global, a situação no Haiti só não é pior que no Sudão e nos Territórios Palestinos.
Numa coletiva de imprensa com jornalistas, o chefe da ONU apontou a violência de gangues que "aterrorizam" a população como causa da crise que levou 1,5 milhão a fugirem para o interior do país e deixou mais da metade de seus 11,7 milhões de habitantes dependendo de ajuda humanitária para ter o que comer.
A violência no país produziu 2,3 mil mortos só neste ano, segundo a ONU. Em 2024, o país era líder mundial em homicídios, de acordo com um levantamento da ONG Igarapé.
Em média, mais de 20 mulheres e meninas foram agredidas por dia no primeiro trimestre deste ano, e o número de crianças recrutadas pelas gangues triplicou, informou Guterres. "Agora um em cada dois membros das gangues é uma criança."
País mais pobre das Américas, o Haiti sofre há anos com a instabilidade, enquanto gangues poderosas assassinam, estupram, saqueiam e sequestram de forma desenfreada.
Guterres lamentou que o plano de resposta da ONU para o Haiti é o programa humanitário das Nações Unidas "menos financiado". Até agora, a entidade só conseguiu arrecadar 24% dos 880 milhões de dólares previstos para endereçar a crise.
📰 Fonte: g1.globo.com
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