
Ministro da Fazenda foi direto ao ponto: como o Congresso não pretende reverter a autorização legal do setor, o caminho é apertar o controle passo a passo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu, nesta sexta-feira (24), que o Brasil adote controle progressivo e restrição de publicidade para casas de apostas, as chamadas bets, nos moldes do que foi feito com o cigarro.
A declaração foi feita durante a Expert XP 2026, em São Paulo, onde Durigan detalhou medidas já em vigor, cobrou a omissão regulatória dos governos anteriores e reconheceu que, diante da liberação consolidada pelo Congresso, a estratégia possível é o controle gradual, não a reversão.
Durigan afirmou acompanhar o tema “com muita preocupação” e foi direto ao ponto: como o Congresso Nacional não pretende reverter a autorização legal do setor, o caminho é apertar o controle passo a passo.
A referência escolhida pelo ministro foi a trajetória do tabaco. Ele lembrou que o público brasileiro cresceu vendo a Fórmula 1 patrocinada por marcas de cigarro e que, hoje, essa publicidade não existe mais, com queda comprovada no consumo.
“Nós assumimos em 2023 com esse baita desafio, mas rádios dizem que o dinheiro das bets é essencial, as empresas de publicidade [também], os clubes de futebol têm patrocínios Master de bets. Então, nós temos que tratar bets igual a cigarro”, disse o ministro.
A fala reconhece abertamente a resistência de setores econômicos que dependem da publicidade das apostas, e enquadra a restrição progressiva não como recuo, mas como estratégia deliberada de longo prazo.
Durigan foi enfático ao cobrar a omissão dos governos anteriores. As apostas foram autorizadas em 2018 com prazo de dois anos para regulamentar impactos na saúde mental, tributação e controles contra lavagem de dinheiro. “Nada foi feito em 2 anos, nada foi feito em 2 anos seguintes”, afirmou.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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