
Deputada do Republicanos e irmã de Edir Macedo indicou R$ 1,2 milhão para o “The Love Walk” e R$ 1 milhão para o “Família ao Pé da Cruz”; representação pede inquérito por possível desvio de finalidade, improbidade e violação à laicidade.
Edna Macedo (Republicanos-SP), deputada estadual e irmã do bispo Edir Macedo, foi alvo de uma representação protocolada no Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) por causa de R$ 2,2 milhões em emendas parlamentares destinadas a eventos ligados à Igreja Universal do Reino de Deus. O Movimento Brasil Laico pede a abertura de inquérito civil para apurar possível desvio de finalidade, improbidade administrativa e violação à laicidade do Estado.
A iniciativa foi apresentada na sexta-feira (14), após reportagens do Intercept Brasil e, anteriormente, do colunista Artur Rodrigues, do UOL, revelarem a destinação das emendas. A representação também mira o Instituto Paulo Kobayashi (IPK), que recebeu os recursos para executar os projetos.
Segundo os documentos reunidos na representação, Edna Macedo indicou R$ 1,2 milhão para o “The Love Walk – Caminhada do Amor”, evento concebido por Renato e Cristiane Cardoso. Cristiane é filha de Edir Macedo.
Outra emenda, de R$ 1 milhão, foi destinada ao “Família ao Pé da Cruz”, realizado na Sexta-Feira Santa. A representação descreve a programação, com base na apuração jornalística que deu origem ao caso, como uma série de cultos religiosos realizados em estádios e ginásios.
O ponto que levou o Movimento Brasil Laico ao Ministério Público está na forma como o dinheiro aparece nos registros públicos. As duas emendas foram classificadas como “apoio a evento cultural e criativo”. Segundo a entidade, a descrição não permite ao cidadão identificar, pela consulta inicial, que os recursos estavam vinculados aos eventos religiosos questionados.
A associação sustenta que o caso deve ser analisado também à luz do artigo 19 da Constituição Federal, que veda ao poder público estabelecer ou subvencionar cultos e igrejas, ressalvadas as hipóteses legais de colaboração de interesse público.
A representação amplia o foco para o fluxo de dinheiro recebido pelo IPK. Segundo os dados reunidos pela entidade a partir das reportagens que instruem o documento, os repasses estaduais ao instituto passaram de R$ 4,3 milhões em 2023 para R$ 10,3 milhões em 2024 e R$ 11,7 milhões em 2025. Até agosto deste ano, somavam outros R$ 11,4 milhões.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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