
A nossa mobilização nacional não vai retroceder; nós cuidamos do Brasil todos os dias, e agora exigimos que o Senado respeite de vez a nossa existência.
A história das conquistas sociais no Brasil nos ensina que nenhum direito trabalhista foi concedido de bandeja; todos foram arrancados com muita organização, suor e barulho nas ruas. Como enfermeira que passou a vida inteira no chão de fábrica da saúde e, hoje, como deputada federal, conheço de perto o peso da exaustão física e mental que esmaga diariamente a nossa imensa classe trabalhadora.
Por esse motivo, assisto com profunda indignação à decisão política do presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, de travar o andamento regular de duas matérias cruciais para a subsistência direta e para a dignidade humana do povo brasileiro: a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a massacrante escala 6×1 e a PEC 19, que vincula o justo piso salarial nacional da enfermagem à jornada máxima de 36 horas semanais.
Segurar essas urgentes pautas na gaveta é virar as costas para quem carrega a nação.
A aprovação do fim da escala 6×1 pela Câmara foi um sopro de esperança para milhões de cidadãos submetidos a um regime de exploração que aniquila o convívio familiar, o lazer, o desenvolvimento pessoal e a integridade psicológica.
A justificativa de que o Senado não pode ser um mero “carimbador” e que precisa de debates lentos e demorados nas comissões carece de sensibilidade quando confrontada com a urgência real das ruas.
Enquanto o tempo institucional é esticado artificialmente por conveniências de bastidores, pais e mães de família continuam adoecendo na base da pirâmide produtiva nacional.
O descanso semanal de dois dias consecutivos não é privilégio; é fisiologicamente e socialmente necessário. O presidente do Senado erra gravemente ao usar a pauta dos operários como moeda de troca.Essa omissão torna-se ainda mais dolorosa para a minha categoria, que há anos sangra esperando por justiça regulatória.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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