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Desafios perversos: como o aplicativo Discord virou ferramenta para envolver adolescentes em um submundo de violência extrema
Na última semana, o caso de uma adolescente de 13 anos que teria sido induzida por outros usuários a tirar a própria vida durante uma transmissão no Discord trouxe novamente à tona os riscos enfrentados por crianças e adolescentes dentro da plataforma. O episódio gerou forte repercussão, mobilizou autoridades, como a primeira-dama Janja, e intensificou o debate sobre a responsabilidade das empresas na proteção de menores no ambiente digital.
A situação levou a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinar a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (12), vale apenas para a ferramenta de lives e permanecerá em vigor até que a empresa comprove a adoção de mecanismos efetivos de proteção a crianças e adolescentes.
Os alertas, porém, não são recentes. Em 2023, uma reportagem do Fantástico já havia revelado como servidores do Discord eram usados para expor menores de idade a conteúdos violentos e criminosos, incluindo desafios que incentivavam automutilação, crueldade contra animais e outras práticas extremas transmitidas ao vivo. Veja a reportagem completa no vídeo acima.
Na ocasião, ativistas que monitoram redes sociais relataram ter encontrado comunidades em que adolescentes eram incentivados a cometer atos extremos diante de câmeras. A reportagem mostrou que as transmissões aconteciam em tempo real e, muitas vezes, não ficavam registradas dentro da própria plataforma, dificultando a fiscalização e a produção de provas.
Fotos e vídeos de pessoas ferindo o próprio corpo com lâminas foi um dos materiais recebidos pela equipe. No Brasil, o incentivo à automutilação é crime, mas tem no Discord. Em tempo real, criminosos desafiam alguém a praticar violência contra si ou contra animais, uma forma de “divertimento cruel”.
Em setembro de 2022, na Região Metropolitana de São Paulo, uma garota, de 13 anos, usando uma máscara de caveira, tenta sufocar um gato da vizinhança e colocar uma faca dentro dele. O caso foi denunciado a uma veterinária e ativista pelos direitos dos animais.
A casa toda pegou fogo. A própria garota registrou a presença dos Bombeiros, e, em uma postagem, disse: "Botei fogo na casa. Daora". Dezesseis mil pessoas faziam parte da comunidade onde a cena foi transmitida.
📰 Fonte: g1.globo.com
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