É preciso seriedade: Segurança Pública Não se Faz com Slogans Irresponsáveis, mas com Inteligência

É preciso seriedade: Segurança Pública Não se Faz com Slogans Irresponsáveis, mas com Inteligência
É preciso seriedade: Segurança Pública Não se Faz com Slogans Irresponsáveis, mas com Inteligência

Recentemente tive a honra de ser convidado para participar do Programa Jornal da Manhã, da Rádio 97 FM, de Guaratinguetá, cidade paulista na qual meus pais nasceram, e ser entrevistado pelos brilhantes jornalistas Xandu Alves e Márcio Rocha. Há ...

Recentemente tive a honra de ser convidado para participar do Programa Jornal da Manhã, da Rádio 97 FM, de Guaratinguetá, cidade paulista na qual meus pais nasceram, e ser entrevistado pelos brilhantes jornalistas Xandu Alves e Márcio Rocha.

Há muito tenho refletido a respeito de como representantes de uma parcela da sociedade manipulam a opinião de pessoas simples, que querem apenas uma boa qualidade de vida. Minha reflexão ficou ainda mais profunda, quando um ouvinte participante do programa pelas redes sociais, defendeu que crianças podem trabalhar e usou argumentos que inconsequentes costumam propagar a respeito da segurança pública.

Em períodos eleitorais, a segurança pública costuma se transformar em terreno fértil para soluções fáceis, discursos inflamados e promessas espetaculares. Mais uma vez, setores da extrema direita brasileira recorrem ao velho receituário do medo, apostando na lógica do encarceramento em massa, da repressão sem limites e da ilusão de que o aumento da força estatal, por si só, resolverá problemas complexos e históricos.

As propostas recentemente apresentadas por Flávio Bolsonaro seguem exatamente essa cartilha. Inspiradas em modelos autoritários e embaladas por forte apelo midiático, elas oferecem respostas simplistas para desafios que exigem inteligência, planejamento, integração institucional e compromisso com a democracia. Em vez de enfrentar as causas estruturais da violência, investem na construção de narrativas que transformam a segurança pública em espetáculo político.

O problema é que o Brasil já conhece esse caminho. Durante décadas, o país ampliou prisões, endureceu legislações e multiplicou operações repressivas sem conseguir derrotar o crime organizado. O resultado foi a consolidação de facções criminosas cada vez mais poderosas, a superlotação do sistema prisional e a persistência de elevados índices de violência. Repetir a mesma fórmula esperando resultados diferentes não é uma política pública; é uma estratégia eleitoral baseada no medo.

A extrema direita insiste em apresentar os Direitos Humanos como adversários da segurança pública. Trata-se de uma das maiores fraudes políticas do debate contemporâneo. Direitos Humanos não protegem criminosos; protegem a sociedade. Protegem as vítimas da violência, as mulheres, a juventude negra das periferias, as crianças, os idosos, os policiais que colocam suas vidas em risco diariamente e todos os cidadãos que desejam viver em um Estado que respeite a lei.

Não existe Segurança Pública Cidadã sem Direitos Humanos. A verdadeira segurança nasce da combinação entre prevenção, inteligência, investigação qualificada, presença eficiente do Estado, redução das desigualdades, fortalecimento das políticas sociais e respeito às garantias constitucionais. Países que conseguiram reduzir a violência de forma sustentável não o fizeram por meio de bravatas ou da eliminação de direitos, mas por meio de políticas públicas integradas e baseadas em evidências.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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