
A possibilidade de formação de um El Niño mais intenso no fim do ano acende um alerta entre produtores de mandioca no Paraná. O fenômeno climático pode aumentar a ocorrência de doenças nas lavouras e comprometer a produtividade da cultura, que já enfrenta desafios como baixa rentabilidade, redução de investimentos e queda no plantio.
Segundo o Engenheiro Agrônomo e Técnico de Campo do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), Marlon Francis Zeferino, os efeitos do El Niño são uma preocupação para a atividade porque o fenômeno altera o regime de chuvas e cria condições favoráveis para o avanço de patógenos.
“Para a cultura da mandioca, o El Niño é mais problemático porque traz muitas doenças. Caso ocorra um super El Niño, os produtores precisam ficar atentos a problemas relacionados à bacteriose, antracnose e cercosporiose. Em 2025, tivemos casos associados ao excesso de chuva e temperaturas abaixo do normal, condições que favoreceram a propagação desses problemas”, explicou.
Além das doenças, o cenário climático pode pressionar ainda mais uma oferta que já está ajustada. No Paraná, produtores têm reduzido o plantio devido ao endividamento, à baixa produtividade e à menor rentabilidade da cultura.
“A evolução do plantio começou agora, mas vemos uma oferta ajustada, demanda ajustada e indústrias trabalhando com pouco ou quase nenhum estoque. Muitos produtores estão deixando de plantar mandioca por causa dos custos e da competição com outras atividades”, afirmou.
Os pesquisadores do Cepea reportaram que muitos produtores têm concentrado as atividades no campo, com o avanço do plantio, a seleção de manivas e o preparo do solo para a próxima safra. Além disso, a baixa rentabilidade, principalmente nas lavouras de primeiro ciclo, tem levado parte dos agricultores a reduzir o ritmo de comercialização.
Com menor disponibilidade de matéria-prima, os preços da mandioca apresentaram novas altas na maior parte das regiões acompanhadas pelo Cepea.
Para as próximas semanas, a expectativa é de que a oferta continue limitada no Centro-Sul. Segundo o Cepea, a redução gradual das raízes de segundo ciclo, o avanço do calendário de plantio e a influência das condições climáticas devem seguir como fatores de atenção para o mercado.
📰 Fonte: cnnbrasil.com.br
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