El Niño: quando a crise climática interrompe futuros

El Niño: quando a crise climática interrompe futuros
El Niño: quando a crise climática interrompe futuros

Orientação do governo Lula: não esperar o desastre acontecer para agir, mas reduzir os riscos antes que vidas, casas e trajetórias sejam atingidas

O El Niño voltou ao centro das atenções no Brasil. Configurado desde junho, o fenômeno deve permanecer pelo menos até o início de 2027 e, segundo o boletim mais recente do Painel El Niño 2026–2027, há mais de 90% de probabilidade de que alcance intensidade muito forte até novembro.

Mas falar sobre El Niño não é apenas falar sobre chuva, seca ou temperatura. É falar sobre o país que estamos preparando para uma geração que viverá por mais tempo com os efeitos de um clima em transformação.

O Brasil tem aproximadamente 45 milhões de jovens entre 15 e 29 anos. São milhões de pessoas concluindo os estudos, entrando no mercado de trabalho, buscando independência e escolhendo onde e como construir a própria vida. A crise climática já compromete as condições em que essas escolhas são feitas.

Enchentes interrompem estudos e destroem moradias. Deslizamentos retiram famílias de seus territórios. Secas comprometem renda, produção de alimentos e condições de permanência no campo. Ondas de calor afetam a saúde, o aprendizado e o trabalho. Incêndios e falta de água alteram a rotina e a economia de comunidades inteiras.

Uma emergência climática, portanto, nunca produz apenas consequências ambientais. Ela aprofunda desigualdades, interrompe oportunidades e compromete futuros. Preparar o país para o El Niño significa proteger essas trajetórias.

Nos últimos meses, a Secretaria-Geral da Presidência da República, sob a condução do ministro Guilherme Boulos, realizou os Diálogos Regionais El Niño 2026/2027, uma série de encontros em diferentes regiões do país para aproximar Governo Federal, movimentos sociais e organizações da sociedade civil na discussão sobre políticas de preparação e resposta às emergências climáticas.

A iniciativa parte de uma realidade concreta: o mesmo fenômeno produz impactos diferentes em cada território. Na Amazônia, por exemplo, estiagens severas comprometem transporte, abastecimento e acesso de comunidades ribeirinhas a serviços essenciais. Em outras regiões, secas, incêndios, chuvas intensas, enchentes e deslizamentos impõem desafios distintos.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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