
Ataque dos EUA destruiu sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis e infraestrutura naval ao longo da costa iraniana; acordo de cessar-fogo firmado em junho está na prática desfeito
O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM) confirmou, na madrugada desta quinta-feira (9), a conclusão de uma segunda rodada de bombardeios contra o Irã, com ataques a aproximadamente 90 alvos militares ao longo da costa iraniana. A ofensiva ocorreu um dia após uma primeira onda que atingiu cerca de 80 alvos, incluindo embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica. O presidente Donald Trump havia declarado horas antes, durante cúpula da Otan na Turquia, que o memorando de entendimento firmado com Teerã em 17 de junho estava encerrado. O Irã respondeu com ataques a bases estadunidenses no Kuwait e no Bahrein, elevando a crise a um novo patamar.
Segundo o CENTCOM, a operação desta quarta-feira (8) teve como foco sistemas de defesa aérea, radares costeiros, depósitos de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura logística ao longo da costa sul do Irã. Entre as cidades atingidas estão Bandar Abbas, principal porto do país e sede estratégica da Marinha e da Guarda Revolucionária, além de Konarak e Chabahar, próximas à fronteira com o Paquistão. Também foram relatados ataques a uma ponte ferroviária próxima à cidade de Aqqala, no norte do país, e ao aeroporto de Iranshahr, no sudeste.
A ofensiva desta quarta somou-se à primeira onda realizada na terça-feira (7), quando o CENTCOM bombardeou aproximadamente 80 alvos, incluindo mais de 60 pequenas embarcações do Corpo da Guarda da Revolução Islâmica. Segundo a mídia estatal iraniana, oito soldados da Força Aérea e da Marinha morreram nos ataques de terça, nas cidades de Bandar Abbas e Bushehr. O vice-governador da província de Khuzestan, Valiollah Hayati, afirmou à agência iraniana Irna que três pessoas morreram e várias ficaram feridas em ataque na periferia de Ahvaz. Um bombeiro morreu no ataque ao aeroporto de Iranshahr, segundo a mídia estatal iraniana. A agência Mehr informou que o fornecimento de energia elétrica foi interrompido em partes de Chabahar, mas restabelecido posteriormente.
Durante coletiva de imprensa em Ancara, ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, Trump foi direto sobre o memorando assinado em junho: “Para mim, acho que acabou. Não quero mais lidar com eles.” Pouco depois, antes de reunião bilateral com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, o tom foi levemente recuado: Trump disse não ter “certeza se o acordo vai se manter”, mas confirmou que a ofensiva continuaria. Em publicação na plataforma Truth Social, o presidente americano escreveu que os ataques eram “uma retaliação pelo bombardeio de navios realizado ontem pelo Irã” e acrescentou: “Se acontecer novamente, será muito pior!”
A justificativa oficial de Washington para os dois dias de bombardeios é a retaliação aos ataques iranianos contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. Segundo o CENTCOM, o Irã teria afundado 28 embarcações na terça-feira. O Comando Central afirmou em nota que os EUA “responsabilizam o Irã pela recente agressão injustificada contra navios comerciais e tripulações civis que navegavam livremente em uma via navegável internacional vital.” Trump também reiterou que o objetivo estratégico americano é a “desnuclearização do Irã”. Um integrante do governo dos EUA afirmou ao Axios que a escalada pode durar dias ou semanas, a depender da continuidade dos ataques iranianos no Estreito.
A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) confirmou, por meio de comunicado divulgado pela emissora estatal IRIB, ter realizado ataques com drones e mísseis contra duas bases americanas no Kuwait e duas no Bahrein. Os alvos incluíram o Camp Arifjan e a Base Aérea Ali Al Salem, no Kuwait, e a Base Aérea Shaikh Isa e o complexo de Juffair, no Bahrein. Juffair abriga a sede da Quinta Frota dos EUA no Golfo Pérsico. Sirenes de alerta soaram nos dois países, e o Exército do Kuwait informou que suas defesas aéreas responderam a “ameaças hostis de mísseis e drones.”
O IRGC declarou que os ataques foram resposta direta à ofensiva norte-americana contra províncias costeiras do sul do Irã e alertou que ampliará sua resposta para outras bases americanas na região caso os EUA continuem a ofensiva. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, acusou Washington de romper unilateralmente o memorando de entendimento, que previa um mecanismo de “compromisso por compromisso.” O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, foi categórico: qualquer novo ataque americano receberá resposta imediata.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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