Escândalo de abusos em pré-escolas de Paris envolvendo brasileiro expõe falhas do sistema; imprensa fala em ‘alerta nacional’

Escândalo de abusos em pré-escolas de Paris envolvendo brasileiro expõe falhas do sistema; imprensa fala em ‘alerta nacional’
Escândalo de abusos em pré-escolas de Paris envolvendo brasileiro expõe falhas do sistema; imprensa fala em ‘alerta nacional’

Entrada principal da escola Saint-Dominique, em Paris, em 20 de maio de 2026, após dezesseis pessoas da escola terem sido detidas pela polícia. — Foto: Dimitar Dilkoff/AFP

ATENÇÃO: esta reportagem contém relatos de violência sexual que podem ser considerados perturbadores.

Os casos de violência sexual contra crianças no período extracurricular em Paris, envolvendo cerca de cem escolas, dominam o debate na imprensa francesa. Nesta terça-feira (26), um monitor de pré-escola identificado como David G., de 35 anos, em prisão preventiva há quase um ano, será julgado por supostas agressões sexuais contra ao menos oito crianças.

Na sexta-feira (22), dois monitores da creche pública — sendo um brasileiro, C. de 51 anos — foram indiciados e colocados em prisão preventiva sob suspeita de abuso sexual.

Segundo a Franceinfo, a audiência de David G., inicialmente prevista para novembro, foi adiada após o advogado do acusado abandonar o caso. O homem também responderá por assédio e agressão sexual contra três colegas de trabalho. De acordo com o Ministério Público de Paris, ele pode ser condenado a até dez anos de prisão.

Uma crônica publicada hoje no Libération sustenta que o escândalo nas pré-escolas da capital deve ser visto como um alerta nacional, e não como um episódio isolado. Segundo o jornal, a magnitude das denúncias revela falhas estruturais profundas, como a falta de formação dos monitores, a precariedade das condições de trabalho, o recrutamento pouco rigoroso e a ausência de supervisão eficaz.

Já o La Croix destaca que, diante da multiplicação dos casos, a escuta de crianças potencialmente vítimas segue protocolos rigorosos na França. A reportagem explica que os investigadores utilizam métodos estruturados, desde a recepção em espaços adequados até a condução das entrevistas, com perguntas abertas e linguagem adaptada à idade.

Importância do relato das crianças Os depoimentos são gravados para evitar que a criança seja interrogada novamente em diferentes fases da investigação. “Pois sabemos que isso pode agravar seu trauma. Mas pode acontecer, em alguns casos complexos, em que os fatos são contestados, que a criança seja ouvida novamente sobre pontos específicos, sem que seja obrigada a repetir tudo”, explica Vincent Raffray, membro da Associação Francesa de Magistrados de Instrução (Afmi).


📰 Fonte: g1.globo.com

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