Especialistas apontam riscos de retrocesso em PL que regulamenta inteligência artificial no Brasil

Especialistas apontam riscos de retrocesso em PL que regulamenta inteligência artificial no Brasil

Sociedade civil alerta para "PL da IA sem transparência"

O projeto de lei que regulamenta a inteligência artificial no Brasil, em tramitação no Congresso Nacional, vem sendo alvo de críticas de organizações da sociedade civil, que apontam falta de salvaguardas contra vieses discriminatórios e ausência de mecanismos de participação social.

Um relatório conjunto de 23 organizações, incluindo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), a Data Privacy Brasil e a Associação Brasilera de Jornalismo Investigativo (Abraji), aponta que o texto atual "não oferece proteção adequada contra discriminação algorítmica e não garante transparência nos sistemas de IA utilizados pelo poder público e pelo setor privado".

"A IA não é neutra. Se não houver regulação adequada, corremos o risco de automatizar preconceitos e desigualdades históricas em escala industrial", alertou a pesquisadora do ITS Rio, Helena Vargas.

Exemplos internacionais

Países como França, Canadá e Alemanha já aprovaram leis específicas para IA com foco em direitos humanos e transparência. A União Europeia aprovou o AI Act, considerado o marco regulatório mais avançado do mundo, que classifica sistemas de IA por nível de risco e proíbe práticas consideradas discriminatórias.

"O Brasil precisa de uma lei que olhe para frente. O texto atual está aquém do que a sociedade espera e precisa", afirmou o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), que apresentou emendas ao projeto.

O PL deve ser votado nas próximas semanas. Organizações da sociedade civil prometem mobilização para pressionar por alterações no texto.

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