
Diversos movimentos evangélicos assumem posição pública nas eleições de 2026 e reivindicam uma leitura da fé cristã comprometida com democracia, justiça social e defesa dos mais vulneráveis
Em um cenário eleitoral no qual o voto evangélico voltou a ocupar o centro das estratégias políticas, grupos cristãos que se identificam com uma perspectiva progressista decidiram deixar claro que não existe uma única voz evangélica quando o assunto é política.
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, Conselho Nacional das Comunidades Evangélicas (CONCE), Associação das Igrejas e Templos Evangélicos de Médio e Pequeno Portes do Estado do Rio de Janeiro (AITEMPERJ), Associação de Mulheres Evangélicas com Cristo e Pela Vida (Amevida), Movimento Jesus Libertador e Movimento Cristãos pela Democracia estão entre as organizações que declararam apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em comum, esses grupos apresentam uma compreensão da participação política cristã que procura associar fé, democracia, justiça social e defesa dos setores mais vulneráveis da sociedade. A escolha por Lula, segundo as cartas e manifestos divulgados, não seria simplesmente uma questão de preferência partidária, mas resultado de uma avaliação sobre quais projetos políticos estariam mais próximos dos valores que essas organizações atribuem ao Evangelho.
A movimentação representa também uma disputa narrativa dentro do próprio campo religioso: a tentativa de afirmar que democracia, direitos fundamentais, justiça social, soberania nacional e proteção dos pobres podem — e, para esses grupos, devem — fazer parte da agenda política dos cristãos.
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito relaciona a escolha à defesa das instituições democráticas e dos direitos fundamentais. Também faz críticas ao que identifica como uma ameaça autoritária representada por setores da direita e, especificamente, à candidatura do senador Flávio Bolsonaro, associada pelo movimento a um projeto de autoritarismo e favorecimento dos mais ricos.
Para a Frente, não se trata simplesmente de escolher um candidato, mas de estabelecer uma fronteira política. A entidade afirma que não é possível normalizar forças que ataquem instituições, questionem resultados eleitorais ou estimulem a violência.
A atuação de Lula na defesa da soberania nacional também aparece entre os argumentos apresentados, especialmente diante do conflito comercial com os Estados Unidos. A Frente interpreta o episódio como demonstração da importância de uma liderança presidencial capaz de defender a autonomia do país e a ordem constitucional.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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