
Conhecida por sua marcante participação na 10ª edição do Big Brother Brasil, Lia Khey, 45, vive hoje uma consagração que vai muito além das telas.
A artista têxtil — que atualmente vê suas esculturas ocupando desde galerias na Europa a edições da CASACOR no Brasil — encontrou no macramê uma forma profunda de pensar o mundo, ressignificar a própria trajetória e traduzir outras tantas histórias.
A virada de chave aconteceu quando a técnica deu lugar a uma nova narrativa e a busca por um propósito maior tomou conta do fazer manual. "Acho que essa percepção aconteceu quando eu entendi que não estava mais interessada apenas no que eu conseguia construir com os fios, mas no que eu conseguia dizer por meio deles", conta à CNN Brasil.
"O nó começou a carregar conceitos, memórias, histórias, questões sobre pertencimento, identidade, feminino e ancestralidade", acrescenta.
Tal filosofia ganhou corpo no projeto batizado de "Desata Nós", desenvolvido por Lia com mulheres em situação de vulnerabilidade e violência doméstica. "O próprio nome parte dessa analogia: enquanto a gente ata nós com as mãos, a gente pode desatar nós internos", explica.
"O nó deixa de ser apenas aquilo que prende duas partes e passa a ser também uma possibilidade de transformação. Hoje eu já nem sei se consigo separar muito bem uma coisa da outra: eu penso enquanto faço", garante.
Se criar uma peça do zero exige um desapego da pressa cotidiana e entrega absoluta do tempo, Lia descreve o processo como um estado de graça e diálogo constante com a matéria.
"Eu não sou uma artista que necessariamente parte de uma imagem completamente pronta. O fio responde, a estrutura responde, o corpo responde. Num mundo em que tudo parece pedir velocidade, existe quase uma resistência em dedicar horas, dias, às vezes meses, a uma coisa que só vai existir porque você permaneceu ali", detalha.
📰 Fonte: cnnbrasil.com.br
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