
A série documental "O Bom Espírito: Por Detrás das Portas do Opus Dei", que chega ao streaming HBO Max nesta sexta-feira (25), relata histórias reais de pessoas que passaram pela instituição da Igreja Católica Opus Dei.
Por meio de depoimentos e dramatizações, a produção dá voz a 14 homens de diferentes origens que relatam os abusos espirituais, psicológicos e econômicos que sofreram enquanto faziam parte da estrutura.
A CNN Brasil conversou com Enrique Mackenzie, uma das pessoas que relataram suas vidas — que estão atravessadas pelas vivências no Opus Dei — na série documental.
Natural de El Salvador, ele estudou em uma das escolas da instituição desde os dois anos — e foi aos 12 anos que começou a participar das atividades de um dos centros de funcionamento do grupo. Lá eram conduzidas aulas de religião e também de esportes, como o futebol.
Dois anos depois, Mackenzie disse que os dirigentes disseram que viram em oração que ele tinha um chamado divino para pertencer de forma oficial à organização.
"Eu tinha 15 anos e acordava às 4h30 da manhã, rezava o Rosário, tinha várias leituras espirituais e uma missa cada dia na escola. Depois eu ia para o clube e fazia muita oração e mais leitura. Meu dia terminava às nove e meia da noite, e o diretor que aprovava esse horário. Tínhamos que contar tudo para eles. Foi uma vida muito regrada", narrou.
Ele contou que, além das obrigações, tinha que passar por algumas provações físicas — como se autoflagelar e ficar com objetos pontiagudos amarrados ao corpo durante o dia. A maior punição, de acordo com ele, era a culpa moral caso uma das funções não fosse cumprida.
"Aos 14 anos, descobri que gostava de homens e eles enxergavam isso como uma doença mental. Eventualmente, quando viram que eu não me curava, me mandaram para um psiquiatra — membro da mesma organização — que me colocou numa terapia. A homossexualidade foi parte do diagnóstico e aí ele me dava remédios muito fortes. Mas, como essa não é uma doença real, não deu certo e eles me expulsaram da organização", contou Enrique à CNN Brasil.
📰 Fonte: cnnbrasil.com.br
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