
Casos na Amazônia e no Nordeste expõem fragilidade de perfis independentes diante da moderação das big techs
A Federação Nacional dos Jornalistas repudiou, nesta segunda-feira (22), a derrubada de perfis em redes sociais e sites ligados ao jornalismo independente, alternativo e sindical no Brasil. Para a entidade, as decisões tomadas por plataformas digitais, especialmente as vinculadas à Meta, têm ocorrido sem transparência e podem configurar censura privada.
Em nota assinada também por sindicatos filiados, a Fenaj afirma que bloqueios e suspensões arbitrárias comprometem a liberdade de imprensa, o direito à informação e a pluralidade do debate público. A preocupação aumenta com a proximidade do período eleitoral.
A entidade chama atenção para casos nas regiões Norte e Nordeste, onde veículos independentes têm papel central em áreas consideradas desertos de notícias. Nesses territórios, muitas vezes são esses meios que acompanham conflitos socioambientais, violações de direitos humanos e temas ignorados pela grande imprensa.
Na Amazônia, a Fenaj cita os casos do jornalista Adriano Wilkson, do portal Tapajós de Fato, de Santarém, e da jornalista Mary Tupiassu, do Amazônia no Ar. Segundo a federação, contas de profissionais e veículos foram suspensas sem aviso prévio ou após denúncias questionáveis de direitos autorais.
No Nordeste, a Rede Cajueira, que há cinco anos atua no fortalecimento do jornalismo regional, também teve sua conta no Instagram desativada sem justificativa considerada adequada pela entidade.
A Fenaj alerta que grupos organizados podem explorar falhas dos algoritmos e dos sistemas automatizados de moderação para promover campanhas de denúncias falsas contra perfis críticos. Para a federação, essa combinação cria um ambiente propício ao silenciamento de vozes independentes.
A entidade também repudiou a derrubada do site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, organização com quase 90 anos de atuação. Para a Fenaj, o ataque atinge não apenas uma ferramenta de comunicação, mas também a organização sindical da categoria.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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