Fim da EMTU já está piorando transporte público em SP

Fim da EMTU já está piorando transporte público em SP
Fim da EMTU já está piorando transporte público em SP

Iniciativa idealizada por João Doria e concluída por Tarcísio enfraquece fiscalização e oferta de ônibus em cinco regiões do estado

Apesar da privatização do Metrô e da CPTM dominarem a repercussão na imprensa sobre os problemas de transporte na Região Metropolitana de São Paulo, outro meio de locomoção também leva pessoas a enfrentarem dificuldades diárias em São Paulo: os ônibus metropolitanos, que eram gerenciados pela EMTU.

Os ônibus já tem um histórico de menor qualidade que o metrô e os trens. Mas, o fim da EMTU pode agravar esse cenário. A justificativa usada para extinguir o órgão é equivocada, e alguns relatos de passageiros e ações recentes do governo mostram que as previsões pessimistas devem se confirmar. A Artesp, que fiscaliza o serviço agora, não tem condições de acompanhar e responder aos problemas.

Os ônibus metropolitanos transportam mais de 40 milhões de passageiros por mês, em 134 cidades de cinco regiões metropolitanas no estado: a grande São Paulo e as regiões de Campinas, Sorocaba, Baixada Santista e Vale do Paraíba. Este valor é próximo do total de transportados nas linhas de trem da CPTM e concessionárias, 60 milhões por mês.

Ainda assim, em 2020 o ex-governador João Doria achou correto extinguir a EMTU. O argumento era que se tratava apenas de contratos, que a Artesp poderia fiscalizar. Essa fala mostra desprezo com o serviço de transporte, com o impacto na vida das pessoas, minimiza o trabalho do órgão e pode camuflar um favorecimento às empresas de ônibus, que terão menos controle na atuação. Em março de 2025, Tarcísio concretizou a extinção.

Os órgãos de transportes urbanos, como a EMTU, a SPTrans, a BHTrans e tantas outras, não são apenas fiscais de contrato. O trabalho envolve estudos de demanda, de corredores de ônibus, mudanças nas linhas e na circulação das pessoas, reprogramar partidas, gerenciar o recurso da tarifa, resolver demandas recebidas de usuários, entre outras. São atividades que demandam equipes técnicas para acompanhar o serviço, não só fiscalizar.

Claro que o trabalho da EMTU estava abaixo do necessário. A falta de apoio dentro do governo, gerada pelo menosprezo ao trabalho, limitou sua atuação. Por exemplo, o governo nunca deu à empresa condições para organizar a bilhetagem como deveria, abrindo espaço para o abusivo controle pelas empresas de ônibus, com o sistema TOP.  A mesma coisa acontece com os atrasos nos corredores de ônibus previstos e a confusão no ABC.

Assim, se a empresa já tinha dificuldade para exercer plenamente suas funções, extingui-la sem criar uma estrutura para atender ao trabalho só pode resultar em piora.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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