
Enquanto Alcolumbre articula o calendário da votação, governistas denunciam manobra da oposição para esvaziar o fim da 6x1
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve reunir líderes partidários nesta semana para definir o rito de tramitação da PEC que acaba com a escala 6×1, aprovada recentemente pela Câmara dos Deputados. A proposta, que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas e garante dois dias de folga, aguarda despacho à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), enquanto a oposição já protocolou uma PEC alternativa, a PEC 12/2026, que parlamentares governistas classificam como uma manobra para esvaziar o avanço trabalhista e instituir, na prática, uma “escala 7×0“.
Aliados de Alcolumbre confirmam que o presidente do Senado tentará definir, ainda antes do feriado de Corpus Christi, ao menos uma previsão de cronograma para a PEC e encaminhá-la à CCJ, onde terá sua primeira votação. A expectativa dos parlamentares governistas é que toda a tramitação seja concluída antes do recesso parlamentar de julho, com semanas de esforço concentrado para garantir presença mesmo de senadores que já articulam pré-campanhas em seus estados.
O caminho, no entanto, não está livre de obstáculos logísticos e políticos. As sessões do plenário do Senado nesta semana serão remotas e restritas a matérias consensuais. Brasília tende a ficar esvaziada pelo feriado e por um evento jurídico em Lisboa que reunirá parte dos senadores. Alcolumbre não participará do evento, mas o contexto reduz as chances de avanço concreto além da definição inicial do calendário. O presidente do Senado também sinalizou a aliados um incômodo com a velocidade da aprovação na Câmara: a avaliação é que o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) acelerou ao aprovar a PEC na comissão especial e no plenário no mesmo dia. Ainda assim, Alcolumbre reconhece a pressão popular pelo tema e não tem dado declarações públicas que sinalizem bloqueio à proposta.
O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), demonstrou otimismo após conversa com Alcolumbre.
“Eu creio que, chegando na Comissão de Constituição e Justiça, no máximo em três, quatro semanas, nós vamos aprovar, inclusive aprovando também um calendário de tramitação especial para que ela possa ser encaminhada ao plenário do Senado Federal e seja votada”, afirmou Alencar.
Para ser aprovada, a PEC precisa de 49 votos em dois turnos, o equivalente a três quintos do Senado.
O Senado não analisa apenas um texto. Além da PEC aprovada pela Câmara, estão em jogo a PEC 12/2026, da oposição, e uma proposta mais antiga do senador Paulo Paim (PT-RS), que já passou pela CCJ e aguarda deliberação do plenário desde dezembro do ano passado. A definição de qual texto ganhará prioridade cabe a Alcolumbre, em articulação com os líderes, e deve moldar não só o ritmo da análise, mas o formato final da mudança trabalhista.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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