Fim da escala 6x1 pode gerar 3 milhões de empregos, aponta estudo do DIEESE

Fim da escala 6x1 pode gerar 3 milhões de empregos, aponta estudo do DIEESE

Estudo reforça argumentos de centrais sindicais

Estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) divulgado nesta semana aponta que a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário, poderia gerar até 3 milhões de novos postos de trabalho no Brasil.

O estudo, encomendado pelas principais centrais sindicais do país, refuta argumentos do empresariado de que a medida aumentaria custos e inviabilizaria negócios. "Historicamente, a redução da jornada de trabalho vem acompanhada de ganhos de produtividade. Não há razão para acreditar que seria diferente agora", afirma o diretor técnico do DIEESE, Fausto Augusto Junior.

"Os países que reduziram a jornada de trabalho não quebraram — pelo contrário, se tornaram mais produtivos. A França tem jornada de 35 horas e produtividade superior à brasileira. O argumento econômico contra a redução não se sustenta", disse a economista Marina Silva (IPEA).

Embate no Congresso

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1 deve ser votada na Câmara na próxima semana. O relator, deputado Leo Prates (PDT-BA), apresentou três versões de parecer com prazos diferentes de transição — 2, 5 e 10 anos.

O presidente Lula afirmou que "vamos ver quem é quem" na votação, em referência à posição dos parlamentares. A base governista busca um prazo de transição de até 5 anos, enquanto a oposição pressiona por 10 anos.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) se manifestou contra a proposta, afirmando que ela "eleva custos e reduz a competitividade das empresas brasileiras". Já as centrais sindicais prometem mobilização nacional. "O trabalhador brasileiro não pode esperar uma década por um direito que já é realidade em dezenas de países", afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre.

Compartilhe: Twitter Facebook WhatsApp