
Ao pedir a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, Flávio Bolsonaro acabou como instrumento de Trump numa ofensiva nociva à soberania brasileira
A decisão do governo Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas foi recebida com entusiasmo pelo bolsonarismo. A narrativa construída foi simples: Flávio foi a Washington, pediu ajuda e voltou com uma vitória política para sua campanha presidencial.
Mas os fatos sugerem uma história diferente. Nos dias seguintes ao anúncio, integrantes do próprio governo americano trataram de reduzir a importância da atuação do senador brasileiro. A mensagem foi clara: a decisão não nasceu de um pedido de Flávio Bolsonaro.
Ela fazia parte de uma estratégia mais ampla que Washington já vinha construindo para ampliar sua ofensiva contra organizações latino-americanas classificadas por Trump como narcoterroristas. Essa informação muda completamente o significado político do episódio.
Se a medida já estava pronta, Trump não atendeu a Flávio Bolsonaro; utilizou-o. O senador brasileiro serviu como avalista doméstico de uma decisão que já vinha sendo discutida e formulada nos bastidores da Casa Branca. Em vez de protagonista, apareceu como instrumento político de uma estratégia definida muito antes de sua viagem a Washington — uma medida extremamente nociva à soberania nacional.
Líderes conservadores saudaram a decisão americana. Parte da imprensa de direita enxergou no episódio uma oportunidade de recolocar a segurança pública no centro da disputa eleitoral e aumentar a pressão sobre Lula. Mas a recepção não foi unânime.
À medida que juristas, especialistas em relações internacionais e analistas econômicos e políticos começaram a examinar os efeitos da medida, surgiram dúvidas que ultrapassam a disputa partidária. A classificação de organizações brasileiras como terroristas pela legislação americana pode produzir consequências financeiras, regulatórias e diplomáticas difíceis de prever.
Bancos, investidores e empresas que operam em áreas sujeitas à influência do crime organizado passaram a avaliar riscos de sanções, compliance internacional e insegurança jurídica.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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