
Hainan revela como indicadores isolados nem sempre refletem a experiência cotidiana de uma região
Estou em Haikou, capital da província de Hainan, desde a última terça-feira (14). Uma parte do período foi gasta conhecendo os colegas que também participam do Seminário de Gestão em Turismo para a Língua Portuguesa; outra foi dedicada à adaptação ao fuso horário. O restante do tempo serviu para entender melhor a província, ainda pouco conhecida no Ocidente.
Hainan está longe de ser a província mais desenvolvida da China. A Zona Econômica Especial tem uma das maiores receitas de turismo do país, mas isso não se converteu — ao menos por enquanto — em um desenvolvimento nos padrões de Shanghai, Shenzhen ou outras ZEEs mais famosas.
A região possui um dos menores PIBs provinciais da China: ocupa a 28ª posição entre as 31 divisões de nível provincial em PIB nominal e a 21ª em PIB per capita.
Isso pode causar certo impacto em quem chega a Haikou, porque por aqui você não verá o espetáculo de desenvolvimento econômico exibido nas redes sociais que mostram outras grandes cidades chinesas, com fábricas, arranha-céus e drones voando por toda parte.
Hainan registrou IDH de 0,790 em 2023, nível semelhante ao de estados brasileiros como Tocantins e Mato Grosso do Sul. A diferença aparece na infraestrutura. Uma província chinesa com esse nível de desenvolvimento dispõe de trem de alta velocidade, sistema ferroviário urbano, ampla rede de bicicletas compartilhadas, universidades de excelência — cinco delas públicas — e, em 2025, já tinha 23% de sua frota composta por veículos elétricos, o dobro da média da China continental.
A digitalização aprofundada causou estranhamento até entre os brasileiros da equipe, acostumados ao Pix.
O uso amplo do WeChat para pedidos de comida, viagens por aplicativos como o Didi, pagamentos, tradução e praticamente qualquer outro serviço necessário causa certo estranhamento. Dinheiro físico? Esqueça. As mãos acabam ficando na carteira, enquanto aplicativos como Alipay e WeChat se tornam muito mais úteis no cotidiano. Ninguém tem troco. E isso faz ainda mais sentido ao saber que, afinal, Hainan foi a primeira província da China em que todas as vilas administrativas passaram a ter acesso à rede 5G e à fibra óptica gigabit.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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