Justiça solta neonazista que planejava ataques e colônia supremacista em SC

Justiça solta neonazista que planejava ataques e colônia supremacista em SC
Justiça solta neonazista que planejava ataques e colônia supremacista em SC

Vincent Weidlich, condenado por terrorismo e incitação ao genocídio, está em liberdade desde fevereiro de 2026 após internação psiquiátrica, segundo a Agência Pública

O neonazista Vincent Alexander Pacheco Weidlich, 36 anos, preso pela Polícia Federal em Blumenau em 2024 e condenado em setembro de 2025 por terrorismo e incitação ao genocídio, está em liberdade desde 5 de fevereiro de 2026, segundo informações da Agência Pública.

Weidlich articulava uma rede transnacional com ao menos 140 integrantes, planejava ataques a bancos, sinagogas e mesquitas e pretendia fundar uma colônia supremacista em Santa Catarina. Após cumprir pouco mais de um ano entre um centro de detenção e um hospital psiquiátrico em Taubaté, ele foi solto pela Justiça de São Paulo sem que as autoridades responsáveis pelo caso tenham prestado qualquer explicação pública.

Vincent Weidlich foi liberado em 5 de fevereiro de 2026, após cumprir período de internação no Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico Doutor Arnaldo Amado Ferreira, em Taubaté. Quinze dias depois, já em liberdade, ele requisitou autorização para deixar o Brasil. A informação é da Agência Pública, que teve acesso a documentos processuais do caso.

O perfil de Weidlich torna a soltura ainda mais intrigante. Ele possui cidadania brasileira, alemã e norte-americana, o que amplia consideravelmente sua mobilidade internacional. A cidadania brasileira foi concedida pela própria Justiça Federal em 2023, um ano antes de sua prisão. Com três passaportes à disposição e um pedido de viagem já protocolado, a pergunta sobre quais medidas cautelares, se existem, impedem sua saída do país permanece sem resposta pública.

As investigações da Polícia Federal, iniciadas a partir de uma denúncia feita pelo TikTok, revelaram uma operação de alcance transnacional. Segundo documentos processuais acessados pela Agência Pública, Weidlich convocava atos terroristas por meio do Telegram e do Signal, mirando alvos como grandes bancos, corporações de mídia, sinagogas e mesquitas, tudo sob o pretexto de uma suposta revolução neonazista.

O projeto ia além dos atentados. Weidlich articulava a criação de uma colônia de supremacistas brancos em Blumenau, no Vale do Itajaí, cidade de forte imigração alemã. A rede que ele mantinha reunia ao menos 140 integrantes de vários estados brasileiros e de países como Alemanha, Suécia, Rússia e Estados Unidos. Segundo a polícia, todos os grupos foram extintos após sua prisão, mas a estrutura que os sustentava, a ideologia, as conexões internacionais e o próprio articulador, segue existindo.

O caso Weidlich não surgiu do nada. Santa Catarina é, segundo pesquisa da antropóloga Adriana Dias, da Unicamp, o estado com a maior concentração de células neonazistas por habitante no Brasil: 11,8 grupos por milhão de habitantes, ante 1,9 por milhão em São Paulo, que lidera em números absolutos. O dado, levantado pela DW Brasil, é anterior à prisão de Weidlich e indica que o problema é estrutural, não episódico.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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