Lei da Reciprocidade é instrumento para negociar tarifas, diz secretário

Lei da Reciprocidade é instrumento para negociar tarifas, diz secretário
Lei da Reciprocidade é instrumento para negociar tarifas, diz secretário

O Brasil realiza uma avaliação detalhada dos impactos do novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre as exportações brasileiras. O embaixador Maurício Lyrio, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Itamaraty, que participou diretamente das negociações com Washington, defendeu o uso da Lei de Reciprocidade Econômica como instrumento essencial de barganha, alertando que renunciar a ela seria prejudicial aos interesses do país, ao CNN Prime Time.

Lyrio explicou que o governo brasileiro está analisando os efeitos das tarifas já anunciadas, incluindo a tarifa de 25% que entrará em vigor, além de uma tarifa adicional de 12,5% prevista para ser anunciada em data próxima.

Segundo ele, as novas medidas atingem cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos — número que se aproxima de 90 países se considerada a União Europeia como bloco de 27 nações.

"Isso deverá ser objeto de análise sobre os impactos em termos de emprego, em termos de capacidade de exportação de produtos e de desenvolvimento tecnológico", afirmou.

Lyrio relatou que as negociações entre Brasil e Estados Unidos começaram em março do ano anterior e chegaram a resultados positivos, com o Brasil obtendo a tarifa mais baixa, de 10%, quando as medidas foram publicadas em 2 de abril.

No entanto, a partir de julho, houve uma mudança significativa na postura americana. "A dificuldade maior se manifestou a partir de julho do ano passado, quando na verdade é uma mudança da posição política dos Estados Unidos em relação ao Brasil de forma mais geral", disse.

Ele citou a publicação de uma carta pelo presidente americano, Donald Trump, que elencava temas políticos, incluindo o processo político interno do Brasil e o tratamento dado a um ex-presidente, além do início de uma investigação com base na Seção 301.

O diplomata destacou que alguns dos temas incluídos na investigação foram considerados surpreendentes, como o desmatamento.


📰 Fonte: cnnbrasil.com.br

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