Luiz Megale dá depoimento comovente sobre ex-militar condenado por estuprar sua tia

Luiz Megale dá depoimento comovente sobre ex-militar condenado por estuprar sua tia
Luiz Megale dá depoimento comovente sobre ex-militar condenado por estuprar sua tia

Caso ocorreu na Casa da Morte, em Petrópolis, durante a ditadura; Antônio Waneir Pinheiro Lima torturou e estuprou Inês Etienne Romeu, tia do jornalista

A Justiça Federal condenou o sargento reformado do Exército Antônio Waneir Pinheiro Lima, conhecido pelo codinome “Camarão“, a 12 anos, 11 meses e 25 dias de prisão, em regime inicial fechado. Ele foi considerado culpado pelos crimes de cárcere privado qualificado e estupro cometidos em 1971 contra a historiadora e militante política Inês Etienne Romeu, durante a ditadura militar.

A sentença representa um marco na responsabilização de agentes da repressão por crimes cometidos no período. Além disso, reconhece que os delitos praticados contra Inês configuram crimes contra a humanidade.

A decisão ganhou repercussão após o jornalista Luiz Megale, âncora da Rádio BandNews FM e sobrinho de Inês Etienne Romeu, comentar o caso durante uma transmissão ao vivo. Em um relato emocionado, ele afirmou: “Eu conhecia o monstro que estuprou minha tia”. Segundo o jornalista, a família conviveu durante décadas com os relatos das violências sofridas pela historiadora, e a condenação representa um sentimento de reparação, ainda que tardia.

Inês Etienne Romeu foi a única sobrevivente conhecida da chamada Casa da Morte, centro clandestino de prisão, tortura e assassinato mantido pelo Centro de Informações do Exército (CIE) em Petrópolis (RJ), considerado um dos principais símbolos da repressão política durante os anos mais duros da ditadura militar.

Presa em maio de 1971, ela permaneceu 96 dias sob custódia de agentes do Estado. Nesse período, foi submetida a espancamentos, choques elétricos em diversas partes do corpo, agressões psicológicas, aplicação do chamado “soro da verdade” e outras formas de tortura.

Além das agressões físicas, Inês foi obrigada a realizar tarefas domésticas nua, sob humilhações constantes, e relatou ter sido estuprada repetidas vezes por Antônio Waneir Pinheiro Lima, que atuava como vigia da instalação clandestina.

Segundo os registros históricos, a militante escapou da execução ao convencer seus algozes de que aceitaria colaborar como informante do regime militar. Após ser libertada, foi deixada na casa de familiares pesando apenas 32 quilos.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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