Lula afirma que vetará trecho de PL que permite disparo em massa de mensagens nas eleições

Lula afirma que vetará trecho de PL que permite disparo em massa de mensagens nas eleições

Defesa da democracia digital

O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira (23) que vetará o trecho do projeto de lei aprovado pela Câmara dos Deputados que permite o disparo em massa de mensagens automatizadas durante as eleições. A declaração foi dada em entrevista ao programa Sem Censura, da TV Brasil.

O PL em tramitação permite que mensagens enviadas por números oficiais de partidos e candidatos não sejam consideradas disparo em massa, desde que destinadas a pessoas cadastradas. Para Lula, a medida abre brecha perigosa para manipulação eleitoral.

"A inteligência artificial não pode ser usada para enganar o eleitor. Vamos vetar qualquer dispositivo que permita a disseminação de mentiras em massa com uso de tecnologia", declarou o presidente.

Disputa no Congresso

Lula afirmou que tentará impedir a aprovação do trecho já no Senado, mas garantiu que vetará o texto caso ele avance. Parlamentares da base aliada já articulam para manter o dispositivo, argumentando que ele "facilita a comunicação" entre candidatos e eleitores.

Especialistas em direito eleitoral alertam que a aprovação do texto como está representaria um retrocesso no combate à desinformação. "O disparo em massa de mensagens foi uma das principais ferramentas de desinformação nas eleições passadas. Permitir isso é abrir as portas para a manipulação em larga escala", afirmou a professora de direito constitucional Helena Torres (USP).

PEC da Segurança e fim da escala 6x1

Na mesma entrevista, Lula confirmou reunião na segunda-feira com o presidente da Câmara, Hugo Motta, para tratar da proposta de fim da escala 6x1. A discussão gira em torno do prazo de transição para adaptação das empresas às novas regras.

Lula também fez apelo público para que Davi Alcolumbre paute a votação da PEC da Segurança Pública, que cria diretrizes nacionais para as polícias. Caso aprovada, o governo promete criar o Ministério da Segurança Pública em até 15 dias, com investimentos de R$ 11 bilhões.

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