
Presidente afirma que Trump vai tentar interferir nas eleições brasileiras para ajudar Flávio Bolsonaro, mas que isso não o preocupa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (30) que os Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, tentarão interferir nas eleições brasileiras para favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência. As declarações foram feitas em entrevista ao podcast Inteligência Ltda. e vieram um dia depois de o mandatário confirmar que negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA que pretendiam avaliar a integridade do sistema eleitoral brasileiro. Lula disse não ter medo da possibilidade de interferência e garantiu que o Brasil “vai ganhar na narrativa”.
“Eles vão tentar interferir aqui, tentando ajudar o lado de lá a ganhar as eleições”, disse Lula na entrevista.
O “lado de lá” é o campo bolsonarista, representado na candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Lula afirmou que o próprio Trump já sinalizou preferência pela vitória do pré-candidato do PL e que o secretário de Estado, Marco Rubio, é o principal articulador dessa tentativa de ingerência. “Ele [Trump] já disse isso. Ele e muito mais o Marco Rubio, que é o secretário de Estado dele”, declarou.
Apesar do alerta, Lula foi enfático ao dizer que a movimentação americana não o preocupa. A confiança, segundo ele, está na capacidade do governo de responder à desinformação:
“Ninguém vai ganhar do Brasil mentindo. Nós vamos ganhar na narrativa. Cada mentira que contarem a respeito do Brasil, nós vamos desmascarar.”
Na quarta-feira (29), um dia antes da entrevista, Lula já havia confirmado a recusa do governo em conceder vistos a dois funcionários do Departamento de Estado americano que pretendiam vir ao Brasil avaliar a integridade do sistema eleitoral e colocar em xeque a confiabilidade das urnas eletrônicas A decisão foi apresentada pelo presidente como ato de soberania, sem margem para negociação. “Enquanto eu for presidente, ninguém de fora vai meter o bedelho nas eleições brasileiras. Nessa semana, tivemos que negar o visto para dois jovens que eles mandaram para se intrometer nas eleições brasileiras. Nós negamos o visto”, afirmou.
A negação dos vistos é uma resposta direta à tentativa de questionar a legitimidade do processo eleitoral brasileiro, em particular das urnas eletrônicas, alvo recorrente de ataques bolsonaristas. Lula rebateu o argumento com ironia: “Se a urna eletrônica permitisse fajutagem, esse ser humano não seria presidente da República. Porque jamais a elite política brasileira ia deixar um metalúrgico ganhar as eleições.” O presidente também disse ter ficado “obcecado” com a defesa nacional após as ações do governo Trump, citando a extensão das fronteiras brasileiras e a riqueza do subsolo do país como razões para redobrar a vigilância. “O Brasil tem 16.800 km de fronteira seca, 8 mil km de fronteira marítima, tem petróleo no fundo do mar, petróleo em terra, minério. A gente tem que tomar conta disso, se não qualquer um pode vir aqui e tomar da gente”, declarou.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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