Lula usará discurso na ONU para defender soberania e alertar contra interferência dos EUA na eleição brasileira

Lula usará discurso na ONU para defender soberania e alertar contra interferência dos EUA na eleição brasileira
Lula usará discurso na ONU para defender soberania e alertar contra interferência dos EUA na eleição brasileira

Presidente fará o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta terça-feira (22); Fala ocorre a menos de duas semanas das eleições

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abre os trabalhos da 81ª Assembleia Geral da ONU em Nova York nesta terça-feira (22), em seu último discurso deste mandato no fórum internacional. A fala, segundo assessores próximos, centrará na defesa da soberania nacional e na condenação de interferências externas no pleito de outubro, sem mencionar diretamente países ou autoridades, mas com recados que, segundo diplomatas a par da elaboração do texto, a comunidade internacional saberá decodificar.

Lula chegou a Nova York no final da tarde de domingo (20) e deve embarcar de volta ao Brasil no início da tarde desta terça (22), após o discurso. A passagem pela ONU interrompe por 48 horas a campanha eleitoral do presidente, que disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O conteúdo da fala, segundo assessores próximos do presidente, incluirá a defesa do multilateralismo, da soberania e da democracia, além de abordar o processo eleitoral brasileiro num contexto de acusações e suspeitas de interferência estrangeira. A preocupação central é com uma possível intromissão dos EUA em favor de Flávio Bolsonaro, embora o discurso não faça menções diretas a países ou autoridades.

O recado, conforme uma fonte próxima ao presidente, será dado de forma “polida, mas firme”. Diplomatas envolvidos na elaboração do texto explicam que referências à soberania brasileira em fóruns como a ONU funcionam como sinalizações compreensíveis pela comunidade internacional, mesmo sem a citação explícita de nomes.

A preocupação de Lula com a interferência dos EUA tem base em uma série de episódios recentes. Donald Trump recebeu Flávio Bolsonaro na Casa Branca, e auxiliares do presidente norte-americano foram menos discretos do que o próprio chefe sobre a preferência pelo senador no pleito de outubro. Houve ainda tentativas de enviar representantes do Departamento de Estado para discutir as eleições brasileiras e articular encontros com o filho de Bolsonaro.

Em entrevista à CNN Internacional, Lula afirmou estar “um pouco preocupado” com a atuação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, atribuindo a inquietação à proximidade de Rubio com a família Bolsonaro. O presidente citou, sem apresentar mais detalhes, possíveis indícios de interferência norte-americana nas eleições por meio do uso de inteligência artificial.

As tensões ganharam contornos mais concretos na semana passada, quando veio a público a informação de que o governo dos EUA apresentou a negociadores brasileiros um documento pedindo que “dissidentes políticos” do Brasil não fossem presos, detidos ou impedidos de participar do pleito. A proposta foi imediatamente rejeitada pela gestão Lula. A Casa Branca também divulgou um documento acusando o Brasil de falhar no combate às facções criminosas PCC e Comando Vermelho, o que o governo brasileiro interpretou como uma tentativa de politizar o debate sobre crime organizado.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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