
Segundo advogada, objetivo do secretário é ampliar pressão dos Estados Unidos sobre setores estratégicos como tecnologia, recursos minerais e áreas ligadas à soberania econômica, com mesmo objetivo contra outros países da América Latina
Em entrevista ao Jornal da Fórum desta terça-feira (2), a advogada pós-graduada em Direito Público pela PUC-MG e criadora de conteúdo Ive Brussel comentou o novo tarifaço de 25 e 12,5% impostos pelo governo Trump através de um anúncio do secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. A entrevistada atribuiu parte da ofensiva contra o Brasil à influência do secretário, que define como “um dos principais defensores de uma postura agressiva em relação à América Latina”.
Segundo ela, Rubio busca enquadrar o Brasil no mesmo grupo de países atacados por Washington, como Cuba, Venezuela e Nicarágua. Ela avalia que o objetivo é ampliar a capacidade de pressão dos Estados Unidos em negociações envolvendo tecnologia, recursos minerais e soberania econômica.
“Há uma articulação de bastidor acontecendo, e eu nem sei se o Flávio Bolsonaro era favorável a essa taxação neste momento. Sinceramente, acredito que ela também é ruim para ele. É uma medida que o prejudica politicamente. O que me parece é que Rubio usou Flávio, e não o contrário. Não é Flávio quem está usando Rubio; são eles que estão usando o Flávio. O Flávio Bolsonaro foi aos Estados Unidos todo pimpão achando que ia se dar bem e afoi utilizado como capital político. Rubio usou Flávio para vender à opinião pública americana a ideia de que o Brasil poderá ter, no futuro, um presidente de direita totalmente alinhado aos Estados Unidos. Nessa narrativa, qualquer taxação imposta ao Brasil seria apresentada como uma medida contra Lula, e não contra o país. Ele precisa então de um idiota útil, como o Flávio, porque ele sabe que ele vai conseguir o que ele quiser“, explica.
Brussel lembra que, no dia 9 de julho de 2025, data em que Trump anunciou a taxação de 50% sobre produtos brasileiros, Eduardo Bolsonaro publicou mensagem agradecendo ao republicano. “No mesmo dia da punição ao Brasil, ele escreveu: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre novamente’. Depois tentou negar, mas a publicação existiu”, afirma.
Para a analista, tanto Eduardo quanto Flávio Bolsonaro passaram a atuar como instrumentos de setores do governo americano interessados em pressionar o Brasil. “Eu não acho que eles estejam usando Marco Rubio. Acho justamente o contrário: Marco Rubio está usando eles”, disse.
Brussel lembra ainda que o Brasil é um país difícil para o governo Trump entender, porque encara a América Latina como um “quintal”. “Na cabeça deles a Venezuela é inimiga tem que dominar. Cuba tem que arrasar, dominar. Colômbia tem que voltar à extrema direita, e o Brasil é um país mais complexo, que tem uma economia muito grande, tem influência, coisa que nenhum outro país da América Latina possui, exceto o México, além dos lobbies americanos em favor do Brasil”, conta.
Ela ainda diz que a ofensiva dos Estados Unidos contra o Brasil não encontra respaldo econômico e atende a interesses políticos e geopolíticos. Segundo ela, os números do comércio bilateral desmontam a justificativa apresentada por Washington.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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