Na Costa Rica, uma pastagem degradada foi coberta com 12 mil toneladas de cascas de laranja: 16 anos depois, cientistas encontraram uma floresta exuberante

Na Costa Rica, uma pastagem degradada foi coberta com 12 mil toneladas de cascas de laranja: 16 anos depois, cientistas encontraram uma floresta exuberante
Na Costa Rica, uma pastagem degradada foi coberta com 12 mil toneladas de cascas de laranja: 16 anos depois, cientistas encontraram uma floresta exuberante

Em 1998, cerca de 12 mil toneladas de cascas e polpa de laranja foram espalhadas sobre três hectares de uma antiga pastagem degradada na Costa Rica. Quando pesquisadores avaliaram o terreno 16 anos depois, encontraram árvores, trepadeiras, solo mais fértil e uma quantidade de biomassa muito superior à observada na área vizinha que não recebeu os resíduos.

A iniciativa nasceu de um acordo entre pesquisadores ligados à Área de Conservação Guanacaste e uma fabricante de suco. A empresa poderia depositar resíduos cítricos para biodegradação em uma área degradada e, em contrapartida, doaria ao parque um terreno florestado localizado em suas proximidades.

Depois que aproximadamente mil caminhões descarregaram o material, uma empresa concorrente entrou com uma ação judicial, alegando que o depósito de resíduos contaminava uma área protegida. A Justiça costa-riquenha determinou a interrupção da operação, encerrando o acordo cerca de um ano depois de sua criação.

Sem novas aplicações ou acompanhamento contínuo, o terreno permaneceu praticamente esquecido durante cerca de 15 anos. O caso das cascas de laranja na Costa Rica voltou a chamar atenção quando pesquisadores tiveram dificuldade até mesmo para localizar a antiga placa que marcava o experimento, escondida pela vegetação.

Os pesquisadores compararam a área tratada com outra pastagem próxima que não havia recebido os resíduos. O estudo identificou mudanças expressivas na estrutura da vegetação, na diversidade de árvores e na composição do solo.

Ao se decompor, o material orgânico acrescentou nutrientes ao solo compactado e pobre, criando condições mais favoráveis para o estabelecimento de árvores. A camada de resíduos também pode ter dificultado o crescimento da gramínea invasora que dominava a pastagem e competia com as mudas por água, luz e espaço.

Os cientistas ressaltaram que o estudo não permitiu separar completamente os efeitos da fertilização, da supressão das gramíneas e da interação entre esses dois processos. Mesmo assim, a avaliação do terreno recuperado mostrou que os benefícios permaneceram tanto na vegetação quanto nos nutrientes do solo após 16 anos.

O resultado não significa que resíduos alimentares possam ser despejados livremente em florestas, terrenos ou áreas protegidas. Quantidade, composição, localização, proximidade de cursos d’água e condições do ecossistema precisam ser avaliadas, além de autorizações ambientais e medidas para evitar contaminação, mau cheiro ou proliferação de organismos indesejados.


📰 Fonte: catracalivre.com.br

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