
Nos últimos anos, a menopausa deixou de ser um tema tabu. Isso é extremamente positivo. As mulheres passaram a falar mais sobre sintomas, qualidade de vida, reposição hormonal e bem-estar nessa fase da vida. O problema é que, em alguns momentos, a conversa parece ter ido para o extremo oposto: qualquer sintoma que surge depois dos 40 anos passou a ser automaticamente atribuído à perimenopausa.
No consultório, é cada vez mais comum ouvir relatos de cansaço intenso, insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, ganho de peso, queda da libido e sensação de esgotamento. Muitas pacientes chegam convencidas de que encontraram a explicação para tudo: “Doutora, é a menopausa.”
A grande questão é que a fase de transição hormonal costuma coincidir exatamente com um dos períodos mais exigentes da vida feminina. E separar uma coisa da outra nem sempre é simples.
A perimenopausa, período que antecede a menopausa propriamente dita, pode começar anos antes da última menstruação. Nessa fase, os hormônios passam por oscilações importantes, capazes de provocar alterações no sono, no humor, na libido e na disposição física.
Esses sintomas são reais e merecem atenção.
Mas existe um detalhe importante. Muitas mulheres chegam a essa fase acumulando décadas de sobrecarga. Estão no auge da carreira profissional, cuidam dos filhos, muitas vezes começam a assumir responsabilidades com pais idosos, administram a rotina da casa e ainda tentam dar conta das próprias demandas pessoais.
Não é raro encontrar mulheres que dormem pouco, se alimentam às pressas, não praticam atividade física regularmente e convivem com níveis elevados de estresse há anos.
Nesse contexto, surge uma pergunta necessária: quanto dos sintomas está relacionado às mudanças hormonais e quanto é consequência de um organismo simplesmente exausto?
📰 Fonte: cnnbrasil.com.br
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