Neymar e a revolta masculina diante da piada de Lula

Neymar e a revolta masculina diante da piada de Lula
Neymar e a revolta masculina diante da piada de Lula

O levante masculino diante da chacota com o atleta é o grito desesperado de homens que se sentem ameaçados de perder algo que nunca tiveram

ALERTA: Este não é um texto sobre futebol nem sobre as qualidades futebolísticas do atleta Neymar, mas sobre a reação de homens “adultos” diante de uma piada do presidente Lula, que, durante um evento, reproduziu uma tirada com o jogador da Seleção Brasileira, dizendo que ele seria o primeiro desportista na modalidade home office.

Feito o alerta, vamos adiante: assim que o vídeo com o presidente Lula surgiu na minha timeline, logo de cara pensei e brinquei com colegas: “Já, já o Tiago Leifert publica um vídeo imenso em defesa do Neymar e atacando o presidente Lula”. Bom, quem acompanha minimamente o dia a dia das redes sociais sabe que o jornalista esportivo é um dos principais defensores do jogador do Santos.

Mas não foi Tiago Leifert quem saiu em defesa de Neymar, e sim uma imensidão de homens. E algo que antes me parecia engraçado e tosco se transformou em incômodo e em uma pergunta: por que tantos homens se incomodam e saem em defesa de Neymar?

É sabido que a fundação do Ocidente e, consequentemente, de sua mentalidade, está diretamente vinculada à construção de mitos heróicos masculinos que ditaram comportamentos por longos séculos. Por exemplo, Aquiles e Odisseu, para ficarmos em dois modelos óbvios.

A mitologia em torno desses homens heroicos girava em torno de uma série de signos que ainda permeiam as mentalidades masculinas: corpos musculosos, destemidos, desejados por todas e todos e, claro, exímios atletas.

Mas há uma coisa que Aquiles e Odisseu ofereciam, além da violência inerente às suas respectivas vidas: o bom exemplo. Cuidar dos amigos, amar o próximo… valores que seriam replicados por Jesus Cristo, outra figura masculina e mítica.

E mesmo Jesus Cristo, que era pacífico e não pregava a violência como Aquiles e Odisseu, tornou-se modelo masculino de resistência. Era destemido e optou pela morte voluntária para salvar a humanidade. Seu ato final deu início ao movimento do cristianismo, e o resto é história.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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