
Em discurso improvisado na 68ª Cúpula do Mercosul, em Assunção, presidente disse ainda que "ninguém é dono da América do Sul"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou nesta terça-feira (30), durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Assunção, no Paraguai, que será candidato à reeleição nas eleições deste ano. A afirmação veio em um discurso improvisado, após a fala oficial sobre o futuro do bloco, e conectou a candidatura diretamente à defesa da democracia brasileira em um momento de avanço da extrema direita na região. O presidente também propôs um sistema regional de pagamentos inspirado no Pix e um fundo climático sul-americano, enquanto a reunião ocorria sem a presença do presidente argentino Javier Milei, que na véspera havia se encontrado com Flávio Bolsonaro.
Em um momento que não estava previsto na agenda oficial, Lula tomou a palavra após seu pronunciamento formal e anunciou a intenção de disputar um novo mandato. A justificativa foi direta: “Vou concorrer às eleições para garantir que o país se mantenha como um país democrático.” A declaração foi feita diante dos chefes de Estado do bloco e colocou a pauta democrática no centro de sua plataforma eleitoral antes mesmo do início formal da campanha.
O presidente contextualizou a decisão no cenário político internacional, mencionando as ameaças recentes às democracias em diferentes países e, de forma explícita, a tentativa de golpe registrada no Brasil. Ao afirmar que a democracia voltou a enfrentar desafios em diversas partes do mundo, Lula sinalizou que a defesa das instituições será o eixo central de sua campanha, em contraste direto com as forças que, segundo ele, colocaram esse regime em risco.
Lula dedicou parte significativa de seu discurso aos 35 anos do Mercosul, afirmando que a criação do bloco representou uma resposta histórica ao período de regimes autoritários na América do Sul. Para ele, a integração regional não pode estar sujeita às alternâncias de poder nos países-membros. “O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente. Senão, a gente nunca vai ter um bloco forte funcionando”, disse.
O presidente foi além e assumiu um compromisso que extrapola seu próprio mandato: “Acreditem, independentemente de quem seja eleito no Brasil, o Mercosul continuará sendo prioridade.” A frase tem peso político evidente num ano eleitoral, e funciona também como recado aos aliados regionais sobre a estabilidade do engajamento brasileiro.
Sem citar diretamente governos de direita na região, Lula afirmou que o bloco representa a principal alternativa institucional para enfrentar a polarização no continente, e encerrou o raciocínio com uma frase que vem sendo interpretada como um recado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump:
Na dimensão propositiva do discurso, Lula apresentou iniciativas concretas para aprofundar a integração econômica e tecnológica do Mercosul. A mais destacada foi a defesa de uma infraestrutura regional de pagamentos inspirada na arquitetura do Pix, o sistema brasileiro público e gratuito desenvolvido pelo Banco Central. Segundo o presidente, o modelo pode reduzir custos nas transações, fortalecer o comércio entre os países do bloco, ampliar o uso de moedas locais e aumentar a resiliência da região diante de choques externos.
📰 Fonte: revistaforum.com.br
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