
Após meses de impasse diplomático, Justiça Federal da Flórida autorizou citação eletrônica do ministro do STF, que tem 21 dias para responder ou corre risco de revelia
O ministro do STF Alexandre de Moraes foi notificado judicialmente por e-mail no domingo (24) pelas plataformas Rumble e Trump Media, que movem uma ação contra ele na Justiça Federal da Flórida desde 2025. A citação foi autorizada pela corte norte-americana em 22 de maio, após meses de tentativas frustradas pelas vias diplomáticas da Convenção da Haia. O processo contesta decisões de Moraes que determinaram a remoção de perfis de influenciadores bolsonaristas nas plataformas, com o argumento de que as ordens violam a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
O advogado Martin de Luca, que representa a Rumble e a Trump Media no processo, confirmou a intimação em publicação nas redes sociais na noite de domingo (24). “Hoje, de acordo com uma ordem do Tribunal Federal dos EUA, Rumble e Trump Media notificaram o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes por e-mail”, escreveu de Luca, anexando o documento processual à publicação.
Segundo o documento, Moraes tem 21 dias para apresentar defesa a partir da notificação. Caso não o faça, as empresas poderão solicitar o registro de revelia, mecanismo que permite a continuidade do processo sem a participação da defesa do ministro. Procurado, Moraes não se manifestou até a publicação desta matéria.
A autorização para a citação eletrônica foi assinada por uma juíza da Corte Distrital da Flórida em 22 de maio de 2026 e representa uma mudança relevante no trâmite processual. Até então, o caso estava paralisado por falta de citação formal do ministro brasileiro, já que as tentativas de notificação pelas vias diplomáticas previstas na Convenção da Haia não haviam avançado. O despacho da juíza não entra no mérito das acusações contra Moraes: trata exclusivamente da autorização para a citação eletrônica e da manutenção de documentos sob sigilo no processo.
O processo foi aberto em fevereiro de 2025 no Tribunal Federal da Flórida. As empresas acusam Moraes de ter promovido censura ilegal contra discursos políticos de usuários alinhados à direita brasileira, citando como exemplo o influenciador Allan dos Santos. O argumento central das plataformas é que as ordens do ministro determinando a remoção de contas nas plataformas violariam a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão.
“Em vez de permitir que a notificação prosseguisse, as autoridades brasileiras transformaram o processo em um escudo político para Moraes”, afirmou o advogado Martin de Luca nas redes sociais.
Além da Rumble, a Trump Media, dona da Truth Social, integra a ação como coautora. A empresa argumenta que, embora não tenha sido alvo direto das decisões do STF, depende da infraestrutura tecnológica da Rumble para o funcionamento da Truth Social e foi afetada indiretamente pelas ordens judiciais brasileiras. O processo também contesta a exigência de que a Rumble mantivesse representação legal no Brasil como condição para o cumprimento das ordens do ministro, o que as empresas enquadram como imposição ilegítima de jurisdição sobre plataformas estrangeiras. Vale registrar que tanto a Rumble quanto a Truth Social são plataformas associadas ao ecossistema político da direita radical americana e brasileira, e que a Rumble já descumpriu ordens judiciais brasileiras anteriores.
📰 Fonte: revistaforum.com.br