O golpe da extrema direita – se ganhar ou se perder a eleição

O golpe da extrema direita – se ganhar ou se perder a eleição
O golpe da extrema direita – se ganhar ou se perder a eleição

Da ofensiva de Mendonça contra a cúpula da PF ao plano de Flávio Bolsonaro para capturar o STF, o Brasil reproduz o método da ultradireita global: destruir a democracia por dentro

Publicamos nesta terça-feira, 8, o artigo “Derrotar, eleger, libertar, anistiar, entregar”. Os cinco verbos resumem o projeto da extrema direita bolsonarista e da ultradireita global: derrotar Lula, eleger Flávio, libertar Jair, anistiar os golpistas e entregar a Trump e Rubio as decisões estratégicas do Brasil.

Desmontar as instituições capazes de impedir os outros cinco: desmoralizar o Supremo, intimidar a PF, desacreditar a Justiça Eleitoral, retirar legitimidade de uma possível vitória de Lula e destruir a democracia por dentro.

Esse sexto verbo mudou o foco. O afastamento da cúpula da PF não é apenas outro episódio da guerra entre Mendonça e Moraes. Reproduz o método da ultradireita global: conquistar os árbitros, usar a “legalidade” contra a democracia e aceitar eleições somente enquanto possam ser vencidas ou deslegitimadas.

Na terça-feira, 8 de setembro, André Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, a menos de um mês do primeiro turno da eleição presidencial. A guerra entre ministros chegou ao comando da principal polícia do país.

O golpe tentado por Jair Bolsonaro antes, durante e depois da derrota de 2022 era reconhecível: generais, acampamentos, ataques às urnas, uma minuta golpista e um plano para assassinar Lula, Geraldo Alckmin e Moraes.

Fracassou. Bolsonaro e os principais integrantes da organização criminosa foram condenados. Mas os golpes contemporâneos nem sempre chegam aos palácios dentro de tanques.

Steven Levitsky e Daniel Ziblatt mostram, em “Como as democracias morrem”, que a ruptura contemporânea costuma ser executada por governantes eleitos. Eles não rasgam a Constituição: alteram sua interpretação e transformam medidas legais em armas contra a democracia.


📰 Fonte: revistaforum.com.br

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